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As terceirizações e a ameaça aos bancários

28/03/2017 às 15:32
Juliana Publio Donato - Representante no Caref BB
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Na última semana, foi aprovada na Câmara dos Deputados o projeto de lei que libera geral as terceirizações. Até então, eram proibidas terceirizações das atividades-fim das empresas. Com esta lei votada pela Câmara, além de se poder terceirizar qualquer tipo de atividade, o trabalhador terceirizado não tem proteção nenhuma.

Esta lei é um duro golpe para todos os trabalhadores. Para os bancários não é diferente. Hoje, já temos várias atividades terceirizadas nos bancos. Agora, a tendência é que cresça ainda mais o número de trabalhadores terceirizados. Os bancos poderão terceirizar todas as atividades da área de apoio, área de tecnologia, atendimento telefônico, caixas nas agências, etc. O Banco Santander já se adiantou, manifestando sua intenção de terceirizar a função de caixa.

Para entender o que isso significaria no Banco do Brasil em termos de números de funcionários, peguemos o exemplo da cidade de São Paulo: hoje, temos 420 funcionários na central de atendimento, aproximadamente 2885 nos centros operacionais, 1260 nos prefixos responsáveis pelo serviço de caixas e 380 na área de tecnologia. Se o BB resolver terceirizar estas atividades, seriam cerca de 5000 funcionários contratados diretamente pelo BB na capital que dariam lugar a um número provavelmente menor de trabalhadores terceirizados, para trabalhar muito mais, com salários muito menores e quase nenhum direito. Para quem não para de falar em redução de despesas com pessoal para aumentar sua lucratividade, essa lei foi um baita presente.

A terceirização destes setores traria uma questão para o BB resolver: o que fazer com os funcionários concursados? Recentemente, foi publicada uma notícia no portal O Dia segundo a qual o presidente dos Correios pretende demitir servidores concursados, alegando o “grave quadro financeiro e econômico da empresa”. Se aplicada nos Correios, essa medida deve ser motivo de grande preocupação para todos os trabalhadores, inclusive nós, do BB, embora não se possa dizer que o banco esteja passando por um “grave quadro financeiro e econômico”.

Outro motivo de alerta é a reforma trabalhista que Temer quer aprovar, segundo a qual o negociado estaria acima do legislado. Imaginem só uma livre negociação entre, de um lado, as empresas, com todos os benefícios da lei, e, de outro lado, funcionários terceirizados representados por vários sindicatos, dispersos e muito frágeis. Se juntarmos ainda a tudo isso a Reforma da Previdência, que na prática acaba com o direito à aposentadoria, obrigando-nos a trabalhar até morrer, será o fim de todos os direitos trabalhistas.

Tudo isso pode parecer um exagero. Mas, infelizmente, esta é a realidade que estamos vivendo hoje: uma ofensiva do governo Temer e do Congresso Nacional sobre os nossos direitos. Mas é claro que isso pode mudar. Para isso, é preciso que os trabalhadores e trabalhadoras tomem as ruas e mostrem sua força.

No 8 de março, as mulheres protagonizaram grandes manifestações por todo o país. No dia 15 de março, centenas de milhares paralisaram seus locais de trabalho e tomaram as ruas contra a Reforma da Previdência. A força das manifestações fez com que o governo fosse obrigado a recorrer a uma manobra, retirando da reforma o funcionalismo estadual, que esteve presente com força nas manifestações. Também teve como consequência a redução dos votos da base aliada na votação da terceirização. Isso mostra que é possível derrotar as reformas.

Mas, para isso, precisamos parar o país. No dia 28 de abril, as centrais sindicais vão realizar um dia nacional de greve geral e os sindicatos precisam mobilizar suas bases para aderir. A CONTRAF/CUT e a maioria dos sindicatos de bancários precisam mudar a sua postura. No dia 15 de março, quando várias categorias paralisaram suas atividades, os bancários não tiveram sequer assembleias na maioria dos estados e ficamos de fora da paralisação. Desta vez, precisa ser diferente. Queremos assembleias para votar a nossa participação na greve geral do dia 28 de abril. Vamos todos juntos construir uma greve geral para derrotar Temer e seus ataques aos nossos direitos.
 

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Passeata em defesa das empresas públicas

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