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Inflação oficial fecha 2017 em 2,95%, mas situação dos trabalhadores não melhorou na vida real

16/01/2018 às 11:44
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Segundo divulgado pelo IBGE, a inflação no Brasil fechou o ano passado em 2,95%. Oficialmente, é o menor IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) desde 1998. Contudo, o questionamento geral que se ouve entre os trabalhadores e a população é como isso é possível, já que no dia a dia, o custo de vida em geral aumentou muito.

A queda no preço dos alimentos foi o motivo apontado pelo Banco Central para que a inflação tenha sido de 2,95%. Dos nove grupos que compõem o índice, Alimentação e Bebidas (em torno de 25% das despesas das famílias) foi o que mais contribuiu para conter o IPCA, com uma queda acumulada de 1,87% no ano. O resultado decorreu, em grande medida, da baixa de 4,85% no preço dos alimentos consumidos em casa, com destaque para as frutas (-16,52%), que tiveram o maior impacto negativo (-0,19 pontos percentuais) no índice geral de 2017.

Mas, se os alimentos contribuíram para reduzir a inflação, Habitação (6,26%), Saúde e Cuidados Pessoais (6,52%) e Transportes (4,10%), foram os grupos que mais pressionaram o índice (2,45 p.p., em 2,95%).

Na Habitação, as principais influências da alta vieram de produtos como o gás de botijão (16%), a taxa de água e esgoto (10,52%) e a energia elétrica (10,35%). A variação nos preços de Saúde e Cuidados Pessoais foi influenciada pelo aumento nas mensalidades dos planos, que ficaram 13,53% mais caros, e dos remédios, que passaram a custar 4,44% a mais.

A gasolina, com alta de 10,32%, foi o produto que mais subiu entre os Transportes. Além do reajuste nos tributos (PIS/COFINS), foram concedidos 115 reajustes nos preços, com um aumento acumulado de 25,49%, de 3 julho a 28 de dezembro de 2017.

Isso explica a indignação e revolta da população com os aumentos que esses itens sofreram no último período e fizeram com que, por exemplo, famílias tenham voltado a usar fogões a lenha ou a álcool para substituir o botijão de gás, que pode ser encontrado pelo preço absurdo de até R$ 80 pelo país.

Inflação e condições de vida

Cinicamente, o governo Temer tem usado esse baixo índice inflacionário para tentar promover seu governo e convencer a população que a economia está reagindo e a vida está melhorando. Um discurso que não engana ninguém, pelo simples motivo de que inflação baixa não significa necessariamente melhora nas condições de vida das pessoas.

“Não podemos nos limitar a discutir como se calcula o índice da inflação e muito menos analisar as condições de vida do povo, pensando unilateralmente na inflação”, explica Gustavo Machado, economista e assessor do Ilaese (Instituto Latino-Americano de Estudos Sócios Econômicos).

“Existem cenários de crises, com piora nas condições de vida dos trabalhadores, sem que isso se reflita necessariamente no índice da inflação. Oficialmente, a inflação pode estar baixa, mas existem outras questões muito mais profundas, como o desemprego e a piora na remuneração dos trabalhadores, como ocorre no Brasil, que afetam as condições de vida. Por isso, na vida real, a situação do trabalhador segue muito difícil”, explicou.

“A baixa inflação no país tem a ver com a recessão econômica, o aumento do desemprego e a piora generalizada nos salários. Portanto, é fruto da política recessiva, das reformas e brutal ajuste fiscal do governo Temer, que penaliza o povo e, por isso, precisa ser derrotada”, defende o economista. 

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