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Encontro: palestra mostra dados alarmantes sobre a saúde dos bancários no Brasil

Por trás da modernidade dos bancos, há uma realidade sombria de degradação dos bancários.

28/01/2019 às 14:39
Ascom/SEEB-MA
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Durante o I Encontro Estadual 2109, realizado nesse sábado (26/01), na sede do SEEB-MA, em São Luís, a doutora em psicologia social, Denise Bessa Leda, ministrou palestra mostrando dados alarmantes sobre a saúde do trabalhador bancário no Brasil. Com base na tese de doutorado da fisioterapeuta Juliana Fortes, Denise revelou que “por trás da imagem de modernidade ostentada pelos bancos, [há] uma realidade sombria de degradação das condições de saúde e trabalho bancário”.

De acordo com a palestrante, esse ambiente de sofrimento e adoecimento decorre, em princípio, do contexto sócio-político atual marcado pelo corte de postos de trabalho, perda de direitos sociais, desemprego, crise econômica, mudanças no mundo do trabalho (reforma trabalhista, terceirização irrestrita), risco iminente de reforma da previdência, além da adoção de um modelo gerencial de fazer mais com menos, com ênfase na produtividade e no trabalhador polivalente, controlado e fiscalizado abusivamente pelas novas tecnologias.

Dentre as consequências dessa conjuntura nefasta, Denise cita a intensificação do individualismo, do clima de rivalidade, da competição para além da ética, propiciando a cobrança de metas abusivas, relações agressivas nas agências, bem como um sentimento de desproteção e vulnerabilidade nos trabalhadores bancários. “Atualmente, nos bancos existe um verdadeiro salve-se quem puder, ou seja, uma gestão pautada no medo e no assédio moral, terreno fértil para o desenvolvimento de transtornos mentais e de comportamento relacionados ao trabalho” – afirmou. Diante dessa constatação, a palestrante fez uma dura crítica aos bancos, que deveriam primar pelo valor do trabalho, como meio de integração e reconhecimento social, isto é, um elemento indispensável para a identidade e o equilíbrio psíquico do sujeito.

Citando novamente a tese de Juliana Fortes, Bessa revelou que os bancários mais jovens têm sofrido mais com essa atual conjuntura. Enquanto os mais antigos encaravam a atividade bancária como garantia de bons salários e carreira para toda a vida, os mais novos a veem apenas como forma de ingresso no mercado de trabalho. Isso se deve, principalmente, em razão da mudança de perfil da profissão (bancário-vendedor), da intensificação da jornada laboral, das precárias condições de trabalho, da sobrecarga de tarefas e do aumento do controle e pressão sobre os trabalhadores, o que tem causado graves impactos na saúde dos bancários.

“São justamente esses jovens que vêm apresentando índices crescentes de adoecimento por doenças ocupacionais, como LER e DORT, além de doenças psicológicas devido à exposição contínua a humilhações, injustiças e a até ilegalidades por parte dos bancos, o que causa dor, sofrimento, angústia, ansiedade, depressão e até suicídios na categoria” – destacou. Denise chegou a mencionar um caso ocorrido no Bradesco em que o gerente de uma agência questionou uma bancária sobre o porquê dela não ter ido trabalhar com a “roupa de bater metas”, ou seja, “a sainha mais curta, com a barriga de fora”, a fim de induzir ou seduzir o cliente, complementando que o uso daquela roupa apropriada significava que “ela não estava empenhada em ajudar o banco a bater metas” – um absurdo!

Além disso, Denise fez questão de orientar os bancários a não subestimarem ou desacreditarem os colegas que retornam ao trabalho após um afastamento médico, “uma vez que hoje pode ser o colega, mas amanhã pode ser você o considerado inapto pelo banco” – alertou. Outro fato preocupante revelado pela pesquisa de Juliana Fortes e mencionado por Denise Bessa foi o crescimento vertiginoso do número de trabalhadores que se endividaram diante da cobrança abusiva para o cumprimento de metas. Segundo relatos, os bancários são forçados a adquirir os próprios pacotes de serviços ou de colegas para alavancar as metas e apresentar desempenho satisfatório nas avaliações, às vezes até sem o seu consentimento, o que é ilegal.

Não é a toa que, segundo a Contraf-CUT, o número de bancários que adoece pode chegar a 60 mil por ano em todo o país, porém, grande parte dos pedidos de afastamento acaba sendo negada. “Afinal, o bancário que adoece é uma denúncia viva do que acontece dentro desse modelo organizacional dos bancos” – ressaltou Denise, citando Paparelli. Mesmo diante dessas denúncias e estatísticas, a Febraban afirma que o assédio moral não é considerado pelo órgão um problema generalizado da categoria, mas um “modismo”, conclusão essa cínica e estarrecedora.

Por outro lado, a resposta do movimento sindical tem sido no sentido de classificar o assédio moral como fato causador de adoecimentos/afastamentos, além de um instrumento de gestão para a exploração do trabalhador. No entanto, os Sindicatos têm encontrado óbices para penalizar o assédio moral em razão do elevado grau de subjetividade que o envolve, “tratando-se de uma violência invisível” na visão de especialistas, pois difícil é provar o nexo causal entre o assédio e o adocecimento/afastamento do bancário.

Diante do exposto, em suas considerações finais, Bessa encorajou os bancários a romperem o silêncio, perderem o medo de serem rotulados como pessoas frágeis, devendo denunciar, de fato, toda e qualquer situação de assédio moral sofrida no ambiente de trabalho. Além disso, a doutora incentivou a categoria a buscar a medicina preventiva, assim como ir ao médico para tratar as doenças já existentes, pois se o emprego é importante, mais ainda é a saúde. Por fim, a palestrante parabenizou o SEEB-MA pela iniciativa da palestra sobre saúde, afirmando que a única ferramenta que assiste ao trabalhador na defesa de seus direitos são as entidades sindicais, que devem – por meio do debate – mostrar aos trabalhadores que a qualidade de vida é mais importante que o dinheiro e o mero serviço ao capital.  

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