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PLANTÃO / FILÓSOFO LEANDRO KONDER

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Morre aos 78 anos o filósofo Leandro Konder

13/11/2014 às 14:19
O Globo
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Morreu nesta quarta-feira (12), aos 78 anos, o filósofo Leandro Konder. Ele é reconhecido como um dos autores brasileiros mais presentes nos estudos sobre Karl Marx, lecionando e escrevendo livros sobre a difusão de seu pensamento. O velório acontece na quinta-feira, às 15h, no Memorial do Carmo, em São Cristóvão. A cremação ocorre na manhã seguinte. Konder sofria de Mal de Parkinson e morreu em decorrência das complicações da doença, em sua casa.

— Nós perdemos o maior humanista e filósofo que o Brasil tinha. Um homem convicto de sua ideologia e que ao mesmo tempo conseguia conviver com os outros, sendo muito ouvido pelo outro lado. Leandro foi símbolo de uma sociedade civilizada, cordata e justa — disse o jornalista e ex-deputado federal Milton Temer, amigo pessoal de Konder. O político, que esteve ao lado de Konder em seus últimos momentos, acredita que o filósofo finalmente "descansou" depois de uma vida de intensa luta.

Ele teve um colapso de um processo que já vinha de longa data. Sua expressão era de repouso.

Leandro Konder era professor da PUC-Rio e da UFF. Filho do líder comunista Valério Konder, foi preso e torturado durante a ditadura militar e se exilou, em 1972, na Alemanha e, posteriormente, na França. Regressou ao país em 1978 e passou a se dedicar com afinco ao estudo das obras de Gyorgy Lukács e ao seu projeto de difundir os estudos do marxismo em terras brasileiras.

Em nota, a Boitempo Editorial, editora pela qual Konder publicou livros como "Sobre o amor", "Em torno de Marz" e "As artes da palavra", afirmou se despedir com "profunda tristeza": "Ser humano extraordinário, autor, coordenador de coleção, conselheiro e, acima de tudo, um amigo e companheiro de lutas".

Konder deixa o filho Carlos Nelson e sua mulher, Cristina. Na PUC, será realizada missa de sétimo dia em memória do filósofo.

Comuníadas

Konder integrava um grupo formado há aproximadamente 15 anos por intelectuais, os Comuníadas (nome formado pela mistura de comunistas com 'Os Lusíadas', de Camões), que se reunia uma vez por mês para celebrar a literatura e a arte. O cineasta Zelito Viana, um dos integrantes do grupo — que reúne ainda nomes como Ferreira Gullar, Sérgio Cabral, Milton Temer, Walter Carvalho e Roberto Freire — lembra que a última reunião aconteceu há um mês, com a participação de Konder.

O Leandro era a estrela dessa comunidade. Na verdade, ao longo do tempo, esses encontros foram acontecendo como uma forma de homenageá-lo. Ele fazia poemas, que nós líamos, virou uma marca da nossa reunião. Acompanhamos a evolução da doença dele nesse período todo, mas no último almoço ele estava bem.

Como outros amigos, Viana também lembra que a generosidade era uma característica fundamental de Konder.

— Ele aceitava as diferenças. Era um democrata visceral, apesar de ser ao mesmo tempo uma pessoa radical, que saiu do PT, fundou o PSOL. Ele tinha uma posição bem nítida de esquerda, era firme, porém aceitava o diálogo, era um democrata, entendia a posição dos outros. Uma pessoa rara.

Homenagens

Zuenir Ventura, escritor, membro da ABL e colunista do GLOBO, lamentou a perda.

É uma notícia triste. Realmente a esquerda brasileira perde uma das mais generosas e lúcidas cabeças que já conheci. Ele nunca hierarquizou as pessoas pela ideologia, botava sempre o afeto acima de todas as coisas.

O filósofo e ensaísta Sergio Paulo Rouanet lamentou profundamente a morte do amigo, principalmente no momento em que o pensamento brasileiro se mostra "tão pobre e tão ralo em geral".

— Ele era um intelectual que amava a literatura, vivia pela literatura e pela filosofia. Um marxista dos menos dogmáticos, conhecido por sua doçura, por seu carisma e generosidade — lembrou o acadêmico.

Rouanet contou que esteve num jantar com Konder há um ano e que, apesar de debilitado fisicamente, o filósofo mostrava o mesmo senso de humor de sempre, contando histórias do Partido Comunista e conversando sobre política.

Ele tinha ficado decepcionado com o PT, embora a política fosse tudo para ele. Mas a política passava sempre por Lukács. Nossa geração lia muito e acreditava na perenidade de certas coisas: a luta de classes, a História e o sol de Ipanema.

O deputado federal Alessandro Molon comentou o falecimento de Konder através de sua conta no Twitter: "Inteligentíssimo, doce, leve, bem-humorado, generoso, altruísta, honesto e corajoso, um agregador por natureza: Leandro Konder".

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