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PLANTÃO / CONSUMO

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Nível de endividamento ameaça o varejo

07/07/2011 às 15:07
Jornal do Comércio
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As vendas do varejo cresceram 5,05% no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2010, mas a inadimplência avançou quase que na mesma velocidade, subindo 4,25%. E, apesar de o calote no varejo ter caído 10,09% em junho em relação a maio, na comparação com junho do ano passado houve alta de 6,9%. Já as vendas no varejo subiram 8,66% em junho, na comparação com idêntico mês do ano passado, mas recuaram 4,79%, em relação a maio. Os dados foram divulgados ontem pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e revelam desconforto do setor com o nível de endividamento da população.

Na opinião do presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior, o Banco Central apresentou uma avaliação acomodada em relação ao nível de endividamento das famílias brasileiras. "O Banco Central está mais tranquilo do que deveria estar", afirmou. Na terça-feira, no Congresso, o presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, disse que o endividamento das famílias brasileiras está em torno de 24% a 25%, próximo do recomendado internacionalmente. "Mas o BC vai estar sempre atento a esse processo", disse Tombini. Para Pellizzaro Junior, no entanto, quando se ultrapassa o patamar dos 20% neste caso, é preciso acender a luz amarela. "Qualquer desarranjo orçamentário, como desemprego, sinistro ou doença gera desequilíbrio. Até 20%,
as pessoas navegam muito bem. Passou disso, fica-se sujeito", considerou.

Para o presidente da CNDL, outro ponto negativo do endividamento é o de que os consumidores acabam direcionando uma parte de seus recursos apenas para pagamento de juro, e não para a compra de bens e serviços. "O comércio até incentiva (as vendas a prazo), pois o crédito é uma alavanca de vendas", admitiu. "Mas é ruim, pois o comerciante poderia vender 11 sabonetes em vez de 10, porque o consumidor gastou o dinheiro do 11º com juro."

A queda na inadimplência de maio para junho refletiu, segundo a CNDL, uma maior disposição dos consumidores em quitar suas dívidas e um maior cuidado em planejar suas compras, em função do Dia dos Namorados. Além disso a entidade ressalta que a liberação do primeiro lote de restituição do Imposto de Renda injetou R$ 1,9 bilhão na economia, contribuindo para que o consumidor mantenha o orçamento em dia. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a alta da inadimplência foi justificada pelo ciclo de aperto monetário, que estaria exercendo pressão negativa no custo de crédito.

Para Pellizzaro Junior, frente à situação, é possível afirmar que as medidas macroprudenciais tomadas pelo governo no final do ano passado foram irrisórias para o comércio varejista. "O varejo continua aquecido, não sentiu impacto das medidas macroprudenciais", disse.

Como exemplo, citou o crescimento das vendas no primeiro semestre de 5,05%. A expectativa do representante do varejo, quando as medidas foram lançadas, era a de que os impactos fossem verificados nos bens de maior valor agregado, como a venda de automóveis, mas nem isso aconteceu. "Nas vendas de produtos de menor valor, a ação do governo foi inócua", considerou. Para ele, as medidas não surtiram efeito porque a demanda reprimida das classes sociais que estão subindo é muito elevada. "Isso só dará uma parada quando desejos reprimidos esfriarem", disse.

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