
Os juros ao consumidor ficaram menores em junho, após baterem recordes no mês anterior. O cheque especial, por exemplo, que tinha uma taxa de 155,20% ao ano, em maio, passou a cobrar juros de 143,17% ao ano no mês passado. Os números fazem parte de uma pesquisa sobre o custo do dinheiro divulgada nesta terça-feira (12) pela Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).
Em números, as taxas do especial passaram de 8,12% ao mês (155,20% ao ano) para 8,10% ao mês (143,17% ao ano). Em uma conta simples, a taxa atual equivale a dizer que quem havia entrado no limite da conta em R$ 200 um ano atrás, agora teria que devolver R$ 486,34 ao banco.
A associação diz que, das seis linhas de crédito ao consumidor pesquisadas, cinco ficaram mais baratas em junho. Somente o cartão de crédito não mudou: o rotativo continuou em 10,69% ao mês (ou 238,30% ao ano). A taxa, que é a maior já vista desde 2000, não muda há mais de um ano.
A conta do cartão seria a seguinte: se o cliente tinha uma dívida de R$ 300 no rotativo em junho do ano passado, em maio deste ano ele veria essa conta passar para R$ 1.014,90.
No caso dos juros cobrados pelo comércio, a taxa passou de 95,15% ao ano (5,73% ao mês) para 85,30% ao ano (5,66%ao mês).
O CDC (Crédito Direto ao Consumidor) de bancos foi de 33,23% ao ano (2,42% ao mês), em maio, para 31,96% ao ano (2,34% ao mês).
Os empréstimos de bancos recuaram suas taxas de 74,52% ao ano (4,75% ao mês), para 73,90% ao ano (4,63% ao mês), enquanto os das financeiras foram de 9,48% ao mês para 9,30%.
A taxa de juros média geral passou de 6,87% ao mês (121,96% ao ano), em maio, para 6,80% ao mês (120,22% ao ano). Este é o menor valor da taxa de juros média desde março.
Contra a inflação
Para o coordenador de pesquisas econômicas da entidade, Miguel José Ribeiro de Oliveira, estas reduções podem ser atribuídas ao bom momento que passa a economia brasileira, à maior oferta de crédito e à maior competição no sistema financeiro.
- O volume de crédito continua crescendo mesmo após todas as medidas restritivas implementadas pelo Banco Central para reduzir a demanda interna e combater a inflação como a elevação dos depósitos compulsórios em dezembro, a elevação da taxa básica de juros Selic, a elevação da alíquota de IOF para captações externas, e a elevação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
Oliviera estima que as taxas de juros voltem a ser elevadas nos próximos meses por conta da provável elevação da taxa básica de juros.
No último mês de 2010, o Banco Central ampliou a fatia dos depósitos compulsórios (a grana que os bancos são obrigados a deixar nos cofres do BC), o que foi visto como uma forma de tirar dinheiro de circulação. Foram tirados de circulação mais de R$ 70 bilhões, segundo a Anefac.
Na mesma ocasião, o BC aumentou a exigência de capital para operação de crédito a pessoas físicas com prazos superiores a 24 meses. Isso forçou os bancos a ficarem mais restritivos com o crédito para a compra do carro novo, por exemplo.
Em janeiro, março e abril, a taxa básica de juros aumentou, o que encareceu o dinheiro. Em abril, o governo aumentou a mordida do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de empréstimos longos para o consumidor.
Tudo isso tem um motivo principal por trás: o controle da inflação. A ideia é deixar o crédito mais caro para esfriar o consumo e baixar um pouco os preços. Nos últimos 12 meses (entre julho de 2010 e junho), o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), usado como parâmetro da inflação do governo, ficou em 6,71% - acima da margem de segurança de 6,50% para a inflação.
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