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PLANTÃO / CAREF BB

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O sofrimento no trabalho que se transforma em mais uma tragédia

09/11/2015 às 10:30
Juliana Publio Donato - Representante no Caref BB
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Nós sabemos que as condições de trabalho nos bancos estão cada vez piores. As pressões por metas, o assédio moral e até o assédio sexual fazem parte da vida dos bancários e bancárias. Existe uma verdadeira explosão nas doenças mentais na categoria.

O resultado desta política teve um resultado trágico na ultima semana. Um gerente de contas do BB de São Paulo, de apenas 32 anos, se suicidou . O colega trabalhava em uma agência que estava enfrentando uma série de problemas, onde grande parte dos funcionários havia pedido descomissionamento.

Essa não é uma situação isolada. Na véspera da greve, um funcionário da Caixa, em Curitiba, cometeu suicídio, na frente da sua agência. Esperamos não estar voltando à época de FHC, quando de janeiro de 1995 a dezembro de 1996, após o Plano de Demissões Voluntárias, 20 funcionários do BB cometeram suicídio.

O BB tem sofrido várias condenações por assédio moral no país. Em junho de 2015, o TST, em decisão unânime, condenou o BB por assédio moral e sexual, após ação civil pública movida pelo MPT. Na Bahia, o Banco já havia sido condenado a pagar R$ 2 milhões em multa por assédio moral coletivo. No Piauí, foi condenado a pagar R$ 5 milhões por dano moral coletivo.

Apesar de todas estas condenações, o Banco nega que o assédio tenha se transformado em uma prática institucional. Ao contrário, se apoia em prêmios do mercado e afirma que o banco é “uma das melhores empresas para se trabalhar”.

O banco inclusive se negou a realizar um Exame Periódico de Saúde mais detalhado pela CASSI, alegando que o custo ficaria mais alto. O EPS detalhado permitira demonstrar como grande parte do funcionalismo vive uma situação de estresse permanente.

Só romperemos essas condições com uma profunda alteração na política de remuneração, transformando o etéreo “espírito público” em um banco público de verdade.

Não podemos continuar escravos das comissões. Precisamos garantir um piso salarial que nos permita sobreviver sem depender das comissões. É inadmissível que, em um banco público, a estratégia seja igual a de todos os bancos privados, metas e mais metas de vendas de produtos.

Uma mudança somente se dará com muita luta. Vivemos uma crise econômica e os ataques só aumentam. Hoje, governo, Congresso, Senado e grandes empresários estão, juntos, querendo privatizar cada vez mais, reduzir custos a qualquer custo.

Mais do que nunca é necessário romper com a lógica de que a nossa vida será construída pelos nossos sucessos ou fracassos individuais. O individualismo, viver o cada um por si, só aprofunda o sentimento de impotência e sofrimento.

É hora de refletir: nossos problemas, bancários e demais trabalhadores, são os mesmos. Somente juntos construiremos nossas saídas.

Por fim, gostaria de expressar meus sentimentos aos familiares do nosso colega e me deixar à disposição para qualquer necessidade.

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