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PLANTÃO / CAIXA ECONÔMICA

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Caixa aumenta participação em empréstimos de maior risco

A política do governo federal de usar os bancos públicos para combater a crise começa a provocar estragos na Caixa Econômica Federal.

28/12/2015 às 14:25
Folha
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 Empréstimos considerados de maior risco –consumidor pessoa física, empresas e infraestrutura– já representam quase 30% do crédito total, segundo estimativa da Moody's com base nos dados da própria Caixa. Até 2008, antes dessa política, esses financiamentos estavam pouco acima de 20%.

Diante da recessão prolongada, a expectativa é que a inadimplência cresça e que a Caixa tenha de recolher cada vez mais provisões para cobrir eventuais calotes. As consequências serão lucros menores nos próximos trimestres e uma folga decrescente para fazer novos empréstimos. Isso porque o banco não contará com novas injeções de recursos do governo e depende de lucros retidos para reforçar o capital.

A inadimplência geral do banco está em 3,3%, a maior desde 2009, mas a análise por segmento mostra dados piores. O calote dos empréstimos para pessoas físicas subiu de 5% no fim de 2013 para 7%. Nos empréstimos para empresas, a inadimplência, que variava de 1% a 2% até 2013, agora está em 5,4%.

"Com a crise, vai piorar a capacidade de pagamento das pessoas e subir a inadimplência da Caixa em 2016, particularmente nos segmentos com menos garantias como cartão de crédito e veículos", diz a Moody's em relatório.

Procurada, a Caixa não quis comentar.

CRISE

A recessão, o aumento dos juros e a inflação têm elevado a inadimplência em todos os bancos. A situação da Caixa, no entanto, preocupa, apesar de os créditos imobiliário e consignado –segmentos de menor risco de calote– ocuparem 65% da carteira.

Nos últimos anos, a presidente Dilma Rousseff utilizou os bancos públicos, com destaque para a Caixa, para reduzir os juros e estimular a economia. Isso foi feito apesar de os consumidores já estarem muito endividados e dos sinais de que a chamada política anticíclica (de estímulo à economia) tinha atingido seu efeito máximo.

Com tradição no setor imobiliário, a Caixa entrou no financiamento de veículos, cartão de crédito, pequena e médias empresas e infraestrutura. O banco financiou até grandes companhias, como a Petrobras, e a compra de eletrodomésticos pelo programa Minha Casa Melhor. O programa foi suspenso em fevereiro devido à inadimplência, que chegou a 30%.

"O que está acontecendo não é surpresa para quem acompanhava a Caixa. Naquela época já sabíamos que o problema viria à tona se não houvesse crescimento econômico. E foi o que ocorreu", diz João Augusto Salles, analista da consultoria Lopes Filho.

Entre 2008 e 2014, o avanço anual de empréstimos da Caixa passou de 30%. O banco colocou o pé no freio neste ano e reduziu o ritmo para 15,5% de janeiro a setembro –acima da média de 8,2% do mercado.

Para o analista Miguel Santacreu, da Austin Rating, a Caixa precisa acelerar a venda de créditos podres e reduzir ainda mais o ritmo de concessão de crédito para aliviar a situação. "Acredito que o banco tem condições de resolver os problemas que ainda estão em linha com o mercado. Até porque acabou o tempo de repasses do Tesouro para os bancos públicos em razão das contas públicas em frangalhos", disse.

O crédito imobiliário é considerado um dos mais seguros, mas até nesse segmento a inadimplência da Caixa subiu, de 1,7% para 2%.

Dos 56,4% do total de financiamentos alocados em imóveis, 16% se referem ao programa federal Minha Casa, Minha Vida. Os analistas dizem que esse setor ainda pode enfrentar problemas à medida que a crise se agrave em 2016, particularmente nas classes mais baixas atendidas a pedido do governo.

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