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PLANTÃO / ECONOMIA

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Salários perdem corrida contra a inflação

29/12/2016 às 11:20
O Estado de São Paulo
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O ano de 2017 será igualmente ruim ou ainda mais complicado para as negociações salariais dos trabalhadores, que tiveram em 2016 o pior ano de reajustes desde 2002.

Em 2016, ano em que a taxa de desemprego alcançou os dois dígitos pela primeira vez desde 2012, quando a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Contínua (Pnad Contínua) foi iniciada, a parcela de reajustes abaixo da inflação atingiu 50% das negociações no acumulado até outubro. O dado é do projeto Salariômetro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que também mostra que, em outubro de 2015, essa proporção estava em 20% e, no mesmo mês de 2014, em 5%.

Neste ano, os bancários, cujo sindicato é bastante forte, tiveram os salários achatados pela primeira vez desde 2004. Após 31 dias de greve, a categoria aceitou a proposta de reajuste de 8% nos vencimentos em 2016. Neste período, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que é o indicador de inflação usado para os reajustes salariais, alcançou 9,2%.

Após um ano marcado por reajustes abaixo da inflação, a avaliação dos economistas consultados pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, é que em 2017 os acordos serão, mais uma vez, dificultados pelo ambiente econômico recessivo. Há ainda a expectativa de pico do desemprego e continuidade da crise política. Diante desse cenário, algumas categorias se anteciparam e fecharam acordos neste ano que contemplam a recomposição salarial de 2017, sem aumento real na renda.

“O desemprego atingirá o ápice em março, com 12,7%, mas essa projeção pode ser pior, uma vez que os dados fracos de atividade podem atrasar ainda mais a retomada da economia. A crise política alimenta a crise econômica, fazendo com que a recuperação seja mais lenta do que a esperada, o que atrasa a retomada do emprego”, resumiu o analista econômico da RC Consultores Everton Carneiro.

Para 2017, a expectativa do Dieese também não é otimista. “O mais certo é que a economia não se recupere em 2017. Mesmo que o PIB cresça 1%, será sobre uma base deprimida. Assim, é difícil imaginar reajustes acima da inflação em 2017”, afirmou José Silvestre, diretor de relações sindicais do Dieese.

 

 

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