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PLANTÃO / ECONOMIA

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62% dos brasileiros não guardam dinheiro, diz pesquisa do SPC

22/02/2017 às 15:30
Estadão
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62% de um total de 801 entrevistados pela SPC Brasil e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) no país disseram que não guardam dinheiro. O levantamento é do mês de janeiro e embasa a primeira edição do Indicador de Reserva Financeira, que as entidades passarão a divulgar mensalmente a partir desta terça-feira. O índice reunirá também dados sobre a quantidade de brasileiros que conseguiram guardar ao menos parte dos seus rendimentos e acompanhará a evolução deste hábito.

Em janeiro, 29% dos abordados pela pesquisa informaram que guardam apenas o que sobra do orçamento. Só 7% reservam um valor fixo mês a mês. Somando-se os dois porcentuais, 36% têm o costume de guardar alguma quantia. Do total dos entrevistados, 2% preferiram não responder à pesquisa. Entre os poupadores, a média reservada foi de R$ 481. A maior parte busca proteger-se contra períodos de afastamento por doença e desemprego. A poupança é o principal destino da reserva, mas 20% ainda guardam dinheiro em casa, de acordo com a pesquisa da SPC Brasil e CNDL.

O indicador mostra ainda que há diferenças entre o hábito de poupar de acordo com a classe social. Nas classes A e B, os poupadores habituais, independentemente de o valor ser fixo ou não, somaram 58% dos entrevistados. Já nas classes C, D e E somaram 30%.

Segundo o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro, o brasileiro não tem o hábito de poupar e, quando poupa, na maioria das vezes a poupança é o que sobra do orçamento, e não algo planejado. "A formação de uma reserva de dinheiro é um tópico fundamental para o equilíbrio das finanças pessoais, mas tende a ser negligenciada por boa parte dos consumidores, afirma Pellizzaro. Para ele, a consequência disso é que, no caso de um acontecimento imprevisto, muitos acabarão inadimplentes.

Os entrevistados também foram questionados sobre a poupança que fizeram no mês anterior à pesquisa. O indicador mostra que, em dezembro, expressivos 75% não conseguiram reservar nada de sua renda, contra 23% que pouparam. A diferença entre as classes também aparece aqui. Nas classes A e B, o porcentual de poupadores foi de 36%, enquanto nas classes C, D e E, foi de 19%.

"É notável que a maioria dos brasileiros não reservou parte de seu dinheiro em dezembro, inclusive quem pertence a classes de alta renda. A crise econômica certamente tem seu papel no resultado da baixa poupança. Com o crescimento do desemprego, o orçamento familiar tornou-se mais apertado e, em alguns casos, insuficiente até para honrar compromissos já assumidos", explica Pellizzaro.

Segundo o presidente, as menções ao pagamento de contas são claro sintoma do aperto orçamentário das famílias. De acordo com os dados, mesmo entre os poupadores habituais, 46% precisaram dispor de sua reserva financeira em dezembro. Os principais motivos foram o pagamento de dívidas (13%), despesas extras (11%), de contas da casa (12%), imprevistos (4%) e também o consumo (8%).

De acordo com o levantamento, a maior parte dos poupadores busca, ao fazer uma reserva, proteger-se contra imprevistos como doenças, morte de entes (43%) ou mesmo o desemprego (31%). Há também 27% que poupam pensando em garantir um futuro melhor para a família e 24% que poupam com vistas à realização de um sonho de consumo. Destes, 23% citam os planos de viajar e 18% mencionam a compra ou quitação da casa.

A reserva financeira com foco na aposentadoria foi citada apenas por 17% dos entrevistados. "O indicador revela que o principal destino do dinheiro reservado ainda é a caderneta de poupança, citada por 62% dos entrevistados. Também chama a atenção o fato de que 20% dos poupadores guardam dinheiro em casa. Os fundos de investimento foram mencionados por 10% e a Previdência Privada, por 6%. Completam a lista outras alternativas de investimento como renda fixa e Bolsa de Valores, mas citados por menos de 5% desses entrevistados. "Como se nota, a carteira de investimento do poupador brasileiro é bastante conservadora. Cultivar o hábito de reservar dinheiro é um passo importante, mas o consumidor deve considerar o retorno financeiro", aconselha Kawauti.

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