
No dia 17 de maio, professores das universidades federais iniciaram uma forte greve que hoje atinge mais de 50 instituições de ensino em todo o país. É um dos maiores movimentos paredistas dos últimos anos e conta com ampla adesão desde o início: logo no primeiro dia, mais de 30 instituições pararam.
Além do apoio dos estudantes, a greve vem atingindo instituições federais normalmente refratárias a movimentos do tipo. No último dia 5, por exemplo, várias entidades do funcionalismo público federal realizaram uma grande marcha em Brasília para anunciar o início da greve geral do funcionalismo, marcado para ontem, dia 11. Mais de 15 mil trabalhadores compareceram.
Educação sucateada
É fácil entender a indignação que atinge a comunidade universitária. Os docentes sofrem com um plano de carreira defasado e o descaso do governo, enquanto as universidades federais estão literalmente caindo aos pedaços, com uma infraestrutura sucateada e falta de professores. O quadro é tão dramático que, segundo o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), o início do ano letivo de 2012 foi suspenso ou atrasado em diversos cursos devido à falta de condições em várias universidades. "Existem instituições sem professores, sem laboratórios, sem salas de aula, sem refeitórios ou restaurantes universitários, até sem bebedouros e papel higiênico" , informa carta aberta do sindicato à população.
Parte da indignação dos docentes vem do fato de o governo ter assinado, em 2011, um acordo em que se prontificava a apresentar um novo plano de carreira até 31 de março de 2012. Porém, passada essa data, não havia nada de concreto.
A desvalorização da carreira docente nas universidades públicas afeta a qualidade de ensino e aprofunda a crise da Educação. A isso se somam as unidades sem a menor infraestrutura abertas após a aprovação do Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, de 2007, que impôs o aumento do número de vagas nas federais sem o consequente aumento nas verbas destinadas às universidades. Resultado: salas superlotadas, estudantes sem salas ou professores e falta de materiais básicos.
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