
Curso deu dicas sobre como proceder diante de acidentes de trabalho e como combater o assédio moral e sexual.
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O SEEB-MA realizou no sábado (27/04), na sede da entidade, em São Luís, o Curso de Saúde do Trabalhador ministrado pela enfermeira e formadora do ILAESE (Instituto Latinoamericano de Estudos Socioeconômicos), Érika Andreassy.
Durante o curso, Érika deu dicas sobre como proceder diante de acidentes de trabalho e como combater o assédio moral e sexual, que segundo Andreassy, “são uma epidemia no Brasil”.
A formadora ressaltou a importância da CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) no primeiro sinal de doença ocupacional, da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) na detecção de riscos nos locais de trabalho e da coleta de dados que comprovem os casos de assédio.
A formadora abordou ainda diversos fatores que contribuem para o adoecimento dos trabalhadores, como o mercado de trabalho com foco na exploração e na polivalência, aplicabilidade precária da legislação trabalhista, preconceito dos colegas contra os lesionados, jornada exaustiva, salários baixos, entre outros.
De acordo com Andreassy, as mulheres são as que mais sofrem com transtornos mentais, pois são vítimas, além do assédio moral e sexual, da precarização do trabalho. Os homens são mais suscetíveis a acidentes físicos.
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Quanto ao assédio sexual, a formadora afirmou que desde 2001 (quando se tornou crime) a prática cresceu no país. Uma pesquisa da empresa Trabalhando.com realizada no ano passado revelou que, numa amostra de 500 pessoas, 63% disseram já terem sido vítimas de assédio sexual.
Érika revelou ainda dados preocupantes sobre os acidentes de trabalho. Segundo pesquisa do ILAESE, em 2009, o número de doenças profissionais foi maior que o número de casos de dengue, malária e gripe A, inclusive com mais vítimas fatais no Brasil. No entanto, nenhum meio de comunicação noticiou o problema.
De acordo com a formadora, só a conscientização da categoria por meio de cursos e campanhas, a criação de uma política séria de prevenção de riscos por parte das empresas, cláusulas efetivas nas convenções coletivas e a denúncia aos órgãos do trabalho podem reduzir os acidentes e os casos de assédio moral e sexual.
Os bancários presentes ressaltaram a importância do curso. “Atividades como essa nos ajudam esclarecer dúvidas sobre os direitos que nós temos e não conhecemos” – afirmou o bancário e delegado sindical, Pedro Smith.
A diretora de saúde e segurança do trabalho do SEEB-MA, Regina Sanches, ressaltou que o Sindicato está atento aos problemas que podem afetar a saúde dos bancários e na luta para combater as práticas que provocam o adoecimento da categoria. “Com certeza, o trabalhador sai fortalecido desse curso, com conhecimento para se resguardar dos ataques das empresas e do capital” – finalizou.
Confira abaixo trechos da palestra de Érika Andreassy.
Acidentes de trabalho
“É importante que os bancários abram uma CAT [Comunicação de Acidente de Trabalho] no primeiro sinal de doença ocupacional, mesmo que ela ainda não esteja comprovada clinicamente. Numa futura demanda judicial, como uma demissão imotivada, esse documento poderá ser muito útil. O trabalhador pode solicitar a CAT para a empresa, mas caso ela se recuse a emitir, o próprio Sindicato pode fazer isso. O ideal é que o Sindicato emita o documento, pois tem como identificar os riscos que podem agravar a saúde do bancário, cobrando do banco a solução do problema”.
Assédio moral e sexual
“O trabalhador vítima de assédio deve coletar o máximo de dados que comprovem esta prática. Anote a data, pessoas que presenciaram fato, o que aconteceu. Faça cópias de e-mails, grave vídeos do assédio. Não aja de forma isolada, mas coletiva, ou seja, informe seus colegas que você está sendo assediado. Una-se a colegas que também sofreram assédio. Denuncie o caso à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego e ao Sindicato”.
Discriminação no local de trabalho
“O Sindicato deve fazer campanhas nas agências contra a discriminação no ambiente de trabalho, pois muitas vezes os próprios colegas colaboram com a prática de assédio moral, isolando os lesionados, com brincadeiras e piadas que levam as vítimas à depressão. Os colegas acabam se tornando verdadeiros agentes dos assediadores”.

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