
O Itaú é o conglomerado financeiro que mais faturou com fundos de investimento que não conseguiram manter o poder de compra dos seus clientes, de acordo com levantamento feito por blog, junto aos seis maiores bancos do país.
Nos últimos 12 meses, de 39 fundos de Renda Fixa e DI que o banco mantém à disposição de pessoas físicas, apenas três atingiram uma rentabilidade líquida acima da inflação no período, que foi de 5,86% ao ano pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumido Amplo).
Os 36 fundos que levaram os cotistas a perder poder aquisitivo têm um patrimônio líquido total de R$ 43 bilhões. Somando a receita que cada um deles tem com taxa de administração, o banco faturou R$ 492 milhões com esses investidores. Portanto, os produtos do Itaú que perderam para a inflação foram responsáveis por 96% da receita dessa instituição financeira com fundos.
Procurado pelo blog, o banco informou que seus clientes podem optar por fundos com taxas menores mesmo se fizerem uma aplicação inicial abaixo do mínimo necessário. Por exemplo, uma pessoa pode aplicar apenas R$ 2 mil em um fundo que exija investimento inicial de R$ 10 mil, desde que ela tenha mais R$ 8 mil em outros produtos do banco (veja detalhes mais abaixo).
O segundo banco que mais conseguiu ganhar dinheiro em cima de clientes que perderam poder aquisitivo foi o Santander, onde 93% da receita com fundos de Renda Fixa e DI veio de produtos que perderam para a inflação.
Em seguida, aparecem o Banco do Brasil (92%), o Bradesco (82%) e a Caixa Econômica Federal (65%).
O HSBC foi o único, entre os seis maiores, em que os fundos com rendimento abaixo da inflação representaram menos da metade (49%) da receita.
Em termos absolutos, o BB faturou R$ 576 milhões com fundos de rendimento real negativo, maior valor entre os seis conglomerados analisados. Mas o banco é o maior do país, então a melhor comparação é a proporcional, apresentada no gráfico acima.
Pelo critério do ganho absoluto, o Itaú ficou em segundo (R$ 492 milhões), seguido por Bradesco (R$ 378 milhões), Santander R$ 341 milhões), Caixa (R$ 195 milhões) e HSBC (R$ 101 milhões).
Os dados mostram que, se para o investidor pessoa física ficou complicado manter o poder de compra, para as instituições administradoras de fundos não foi tanto assim. Caso elas reduzissem o custo, ganhariam menos no curto prazo, mas seus clientes perderiam menos.
Cenário difícil
Anteontem, este blog mostrou que, no total, os seis maiores conglomerados financeiros do país tiveram, juntos, uma receita de mais de R$ 2 bilhões nos últimos 12 meses com fundos que não foram capazes de manter o poder de compra dos clientes.
Vou aqui reafirmar que, nos últimos meses, não foi fácil para banco nenhum oferecer boa rentabilidade aos seus clientes. Primeiro, porque a inflação estava em aceleração, atingindo um pico de 6,7% nos 12 meses encerrados em junho.
Em segundo lugar, a taxa básica de juros (a Selic), referência para a rentabilidade de inúmeros papéis, estava em patamar relativamente baixo até março (7,25% ao ano).
Terceiro, como a Selic subiu muito rápido, o preço de vários títulos público prefixados caiu, levando prejuízo aos investidores que precisaram vendê-los (em outra ocasião expliquei como o aumento do juro básico pode fazer o investidor de renda fixa perder dinheiro).
Bons resultados
Nesse cenário de inflação alta e juros baixos, a taxa de administração acabou fazendo uma grande diferença para os investidores. Só os fundos com as menores taxas conseguiram oferecer rentabilidade acima do IPCA.
O HSBC e a Caixa se sobressaíram por causa disso. No primeiro, a taxa de administração média, ponderada pelo tamanho dos fundos, é atualmente de 0,76% ao ano. No segundo, de 0,77%.
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