
Em março de 2014, sindicato realizará assembleia para ratificar decisão e reformulação estatutária submetida aos trabalhadores da categoria.
Os metroviários do Rio Grande do Sul decidiram durante o Congresso da categoria, realizado no último fim de semana, votar pela desfiliação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em resolução aprovada pelos trabalhadores. De acordo com Neida Oliveira, da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, uma assembleia foi agendada para março do ano que vem a fim de firmar a filiação do Sindimetrô RS a CSP-Conlutas.
Esta é um importante passo a caminho de uma política sindicalista combativa, sem as amarras governistas que prejudicam a mobilização dos trabalhadores e a conquista das reivindicações da categoria.
Confira abaixo a resolução votada durante o Congresso:
RESOLUÇÃO SINDICAL: A CUT NÃO REPRESENTA MAIS OS METROVIÁRIOS
Em 2011, a atual diretoria ganhou a eleição do sindicato. Desde então houve uma retomada mais vigorosa das lutas da nossa categoria. Várias conquistas foram possíveis, no entanto, temos consciência que nenhuma delas foi suficiente para impedir o processo do desmonte da nossa profissão.
Infelizmente os ataques aos direitos da categoria metroviária não ocorre apenas no RS. Pelo contrário, o processo de terceirização e privatização atinge de conjunto os trabalhadores deste setor e também o conjunto dos servidores públicos. Também não é diferente com os demais trabalhadores que cada vez mais têm seus direitos atacados para aumentar o lucro dos patrões.
Diante desta realidade caberá ao nosso Congresso reafirmar a necessidade da unificação das lutas para fazer frente à ofensiva dos governos e da burguesia. Também será o momento de concluir o debate sobre a CUT, debate este que a base da categoria (vem) fazendo, cumprindo a promessa de campanha da atual diretoria do SINDIMETRÔ RS.
Devemos ainda discutir de que maneira nosso sindicato pode contribuir para fortalecer a reorganização da classe trabalhadora brasileira.
CUT: Conclusão de um ciclo
Construída a partir das lutas pela redemocratização, no final dos 1970 e início dos 1980, juntamente com o PT, a Central Única dos Trabalhadores se constituiu na principal ferramenta da classe trabalhadora brasileira. Por sua capacidade de luta, a CUT atraiu milhares de sindicatos combativos, cansados do “peleguismo” oficial que reinava no movimento sindical.
Porém, com o crescente desvio eleitoral do PT, a CUT passou a servir como “braço” do partido dentro do movimento social e sindical, e assim, passou a estabelecer uma relação muito mais “amistosa” com os governos, chegando a participar das “Câmaras Setoriais” de Fernando Henrique, fazendo acordos rebaixados e trazendo prejuízos para os trabalhadores.
A burocratização
Atuando como um importante tentáculo da direção petista, a CUT consagrou sua burocratização com a ascensão de Lula à Presidência da República. Apoiou a famigerada Reforma da Previdência, traindo milhões de servidores públicos que lutaram contra aquela reforma. Indicou dirigentes para importantes cargos no governo como: estatais, dirigentes de bancos, fundos de pensão, etc. e passou a receber vultuosas somas por conta do FAT e outros programas governamentais. Recentemente, chegou ao ponto de formular proposta como o Acordo Coletivo Especial, visando atender as vontades do governo e dos empresários.
Infelizmente, uma história construída com tanto entusiasmo, com a dedicação dos mais valorosos militantes sindicais destas últimas décadas, chegou ao fim! Hoje, a Central Única dos Trabalhadores serve apenas para frear as luta por melhores condições de trabalho, por salários dignos e pela autonomia dos sindicatos. Não faz outra coisa a não ser alimentares ilusões nos governos do PT, mesmo estando claro que estes não governam para os trabalhadores.
Uma nova alternativa
Desde 2003, milhares de ativistas do nosso país vivem um grande dilema: continuar defendendo a direção majoritária da classe representada na CUT que vende ilusões de que governos gerentes do capitalismo atenderão as demandas da nossa classe ou tomar para si a tarefa de construir uma direção independente para os trabalhadores.
No decorrer desta experiência muitos responderam ao desafio da reorganização, talvez mais lenta do que a necessidade da nossa classe, mas com a firmeza de que não é possível que se continue fortalecendo organizações que não passam de verdadeiros auxiliares dos patrões e da burocracia governamental.
Neste sentido, a CSP CONLUTAS tem sido um exemplo da importância de manter o perfil classista e independente de uma organização dos trabalhadores. Por isso defendemos que o nosso sindicato se coloque a serviço de fortalecer esta alternativa.
O Sindimetrô RS tem uma história de luta. Nossa categoria é aguerrida e não se dobra jamais aos interesses dos governos. Defender a manutenção do caráter público de nossa empresa, evitando as terceirizações e impedindo a sua privatização é uma luta que vai além dos limites do nosso sindicato.
Por isso, precisamos estar unidos aos demais trabalhadores e do apoio de uma organização nacional que tenha independência em relação ao governo e que possa, realmente, nos ajudar nesta difícil batalha. Afinal, Dilma parece mesmo disposta a privatizar todos os serviços e riquezas do nosso povo: hospitais universitários, aeroportos, petróleo. Com os metrôs não será diferente!
Diante desta conjuntura o IX Congresso delibera por:
1-desfilar o Sindimetrô RS da CUT;
2-chamar uma assembleia, no mês de março de 2014, para votar a filiação do Sindicato à CSP CONLUTAS.
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© SEEB-MA. Sindicato dos Bancários do Maranhão. Gestão Trabalho, Resistência e Luta: por nenhum direito a menos!