Siga-nos no Threads Siga-nos no TikTok Fale conosco pelo WhatsApp Siga-nos no Facebook Siga-nos no Instagram Siga-nos no X Siga-nos no Youtube

PLANTÃO / OPINIÃO

Imprimir Notícia

Confira o artigo "Corpos da "Cracolândia", publicado hoje no JP

19/05/2014 às 11:12
Mateus Neto, doutor em Educação
A+
A-

Vi pela TV, que em São Paulo, na região conhecida como “Cracolândia”, que a prefeitura colocou uma “cerca” para separar os usuários de drogas e os não usuários ou os usuários não declarados. Essa é uma típica solução antiga para um problema novo. Foi aí que pensei como Merleau-Ponty em sua visão das relações do corpo-humano-no-mundo.Para ele, como em São Paulo, o corpo humano está aí entreum olho e outro e aí se produz uma espécie de entrecruzamento.

Para a burocracia paulistana parece bastar por um “cercadinho” e fazer parecer que o humano não existe.Cometem um erro ao desejar esconder com medidas simples o que é complexo ou ao tentar finalizar o que apenas começa.Aqueles de lá, atrás da cerca,são vistos como os culpados, como os de fora, como os“impuros”, os que não fazem parte da sociedade paulistana, da cidade mais rica do Brasil, o que não cansam de afirmar.

Viciados ou não, aqueles brasileiros, têm uma história de vida, um conjunto de problemas não resolvidos e múltiplas fragilidades. Mas, sem querer valorizar o vício, aqueles são humanos e o que se tem ali são corpos humanos nascidos de uma mesma Nação.

Esquecem os burocratas paulistas ou talvez não o saibam,que o corpo éum elemento simbólico e funciona como a chave do processo simbólico e cria a possibilidade da interação entre os corpos-símbolos e os símbolos por ele criados e decodificados, conforme Nicolau de Cusa. Tentar escondê-los não os faz saírem da existência. Os apenados estão nos presídios, mas existem.

Temos dinheiro para a copa, para a propaganda oficial, para irrigar canais de absurda corrupção “jamais vista antes neste País”! Não seria melhor pensar bem sobre este problema tão complexo e tentar dar uma solução que não envergonhasse as pessoas que ainda pensam? Lamentavelmente esconder é uma solução fácil para o velho capitalismo “cansado de guerra”.

O que existe e não convém é “colocado sob o tapete” ou atrás da cerca. Os humanos que circulam interessam ao sistema, os que estão estáticos, segregados, são os sem serventia, aqueles que só diminuem os lucros do capital, cabe exterminá-los.No presente, a forma de tirá-los da ativa é dando a cada corpo a possível invisibilidade.

O mais dramático é que os que assim agem, falam em socialismo, em esquerda. Esquerda será o lado de fora ou o lado de dentro da cerca?Há uma epidemia de drogas no País, que o diga o Dr. Rui Palhano, e longe, bem longe, de pensarem soluções mais adequadas que envolvam apoio, tratamento, oportunidades de trabalho, capacitação correta, medidas difíceis ede retorno demorado, mas com alguma possibilidade de êxito é bem possível que criem, se já não o fizerem, o Bolsa-Crack, já que essa é uma forma política(?) de amortecer consciências e de calar a boca, portanto, dar invisibilidade ao corpo, às custas da já sacrificada sociedade brasileira da “copa das copas”!

SAÚDE - CAT
ÁREA DO CLIENTE
SOBRE

Sindicato dos Bancários do Maranhão - SEEB/MA
Rua do Sol, 413/417, Centro – São Luís (MA)
Secretaria: (98) 98477-8001 / 3311-3513
Jurídico: (98) 98477-5789 / 3311-3516
CNPJ: 06.299.549/0001-05
CEP: 65020-590

MENU RÁPIDO

© SEEB-MA. Sindicato dos Bancários do Maranhão. Gestão Trabalho, Resistência e Luta: por nenhum direito a menos!