
O Banco do Brasil inaugurou nesta sexta-feira (30) sua agência em Xangai, a primeira de um banco latino-americano na China.
A abertura da agência ocorre após três anos de espera pelas autorizações necessárias do governo chinês.
O foco do BB na China será atender empresas brasileiras que fazem negócios no país e as chinesas que investem no Brasil, principalmente em obras de infraestrutura.
Segundo o vice-presidente de Finanças e Relações Internacionais do Banco do Brasil, Ivan de Sousa Monteiro, a criação da agência na China tornou-se uma necessidade dado o crescente fluxo de comércio e investimento entre Brasil e China.
Além disso, ela faz parte da estratégia do banco de "diversificação da geografia" de captação de recursos.
"Nos últimos cinco anos o Banco do Brasil multiplicou por quatro vezes o volume de funding que obtém no exterior saindo de um valor de US$ 10 bilhões para US$ 53 bilhões", afirmou.
A possível desaceleração da economia chinesa não preocupa Sérgio Girardi de Quadros, gerente geral da agência de Xangai. Para ele, a demanda por produtos do Brasil continuará em alta.
"A importação de soja, por exemplo, aumentou 83% neste ano. Faz parte do plano de urbanização do governo chinês trazer 200 milhões de pessoas para as cidades. Isso vai implicar em mais consumo de alimentos e novas oportunidades para o Banco do Brasil", prevê.
Há hoje 70 empresas brasileiras instaladas na China e 45 delas já são clientes do BB. Três grandes bancos chineses já operam no Brasil: Bank of China, CCB (China Construction Bank) e ICBC (Industrial and Commercial Bank of China). Em breve deve se juntar a eles o quarto: o ABC (Agricultural Bank of China), está em vias de formalizar sua entrada no mercado brasileiro.
No plano do Banco do Brasil, é possível atingir superavit dentro de dois anos na China, o que poderá levar à expansão e abertura de outras agências no país.
"O grande foco de nosso trabalho aqui é contribuir com a parceria bilateral e a balança comercial", explica Edson Rogério da Costa, diretor de Corporate Bank.
"No médio e longo prazo podemos até reforçar nossa participação local, revendo a estratégia e colocando mais capital, mas este é um segundo passo".
A agência do BB em Xangai começa a operar com 17 funcionários, com espaço para abrigar até 38.
Embora o governo chinês tenha anunciado nos últimos meses a intenção de flexibilizar as regras de seu setor financeiro e permitir a abertura gradual, o mercado local continua bastante limitado à operação de instituições estrangeiras.
O economista Chao Ke Jian, que representou as autoridades chinesas na inauguração, admitiu que o processo de abertura será lento.
"Mas se queremos alcançar a meta de transformar Xangai num grande centro financeiro, teremos que atrair grandes instituições financeiras estrangeiras, como o Banco do Brasil", disse.
A inauguração da agência do BB conclui um processo iniciado em 2011, quando o Banco Central autorizou a transformação do escritório em agência, com capital de US$ 30 milhões.
A China é o maior parceiro comercial do Brasil e o fluxo crescente justifica o interesse do BB no país. No ano passado, as exportações do Brasil para o país somaram US$ 46 bilhões, aumento de 10,8% em relação a 2012. A corrente de comércio entre os dois países bateu recorde em 2013, atingindo US$ 83 bilhões e a previsão do BB é que chegue a US$ 100 bilhões nos próximos anos.
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