
Se o bancário não conquistar pessoas desprevenidas para "arrancar o couro" e do tanto suficiente a dar os resultados esperados. Pronto, se lascou.
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Ser bancário hoje em dia se tornou algo parecido ao que faziam os pregadores que prometiam pedaços do céu em troca de grana viva aqui na terra. É a história das indulgências, que quase acabou a partir da tradução da Bíblia do latim para todas as línguas. De certo modo, para ascender hoje na profissão bancária, o cara tem que ter algo da alma do mau caráter. Deve ser por isso que há algum tempo o pensador Bertold Brecht cunhou a expressão: "O que é assaltar um banco, comparado com fundar um banco?"
Na prática, ao final de cada dia, os bancários têm de entregar as encomendas definidas pelo escalão superior. Ser gerente é o mesmo que carrasco. Superintendente, então, nem se fala. O sujeito é super bem pago apenas para ditar metas e depois "degolar" quem não as atingiu. Se o bancário não conquistar pessoas desprevenidas para "arrancar o couro" e do tanto suficiente a dar os resultados esperados. Pronto, se lascou.
No Brasil, os bancários têm de vender produtos que em outros cantos do planeta seria considerado assalto propriamente dito. Vejamos o caso de qualquer cartão de crédito. Em nosso país, se o portador pagar somente 10% da fatura, a partir daí terá de arcar com uma taxa de juros mensal (média 10% ao mês), que é equivalente ao que um cidadão norte-americano, ou de qualquer outro canto do mundo minimamente civilizado, paga em um ano ou mais.
No Maranhão, tem agência de banco onde a climatização do ambiente é igual a um forno em ebulição. Tem local onde bancários, clientes e usuários têm de suportar mau cheiro e se sujeitar a adoecer por inalação de ácaros ou outros agentes patológicos. Enquanto isso, os bancos enchem os cofres com lucros cada vez maiores. Haja inflação ou não, banco sempre lucra muito. Haja crise ou não, a mesma coisa. Antes da era Lula, os cinco maiores bancos (Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e HSBC) lucravam em média R$ 500 milhões ao ano. Agora estourou a boca do balão e a média subiu para a casa da dezena de bilhões.
Mas ainda há quem acredite que passar no concurso do Banco do Brasil é um sonho de consumo tornado realidade. É porque não sabem que o mundo mudou e há muito nazista disfarçado de chefe produtivo. Segundo o manual dessa gente, o lema é: "cumpra ordens, seja bem sucedido e o resto que se dane".
David Sá Barros, presidente do Sindicato dos Bancários do Maranhão.
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