
A afirmação foi feita durante participação no ciclo “Brasil, presente e futuro” na Casa do Saber Rio a convite do Instituto Millenium, que transmitiu o evento via internet.
Franco ressaltou que o Brasil tem gastos públicos de padrão “grego”. “Quem é o culpado pelos juros altos? Não é o Banco Central. Juros altos são fruto de gastos elevados, ou seja, a culpa é do Ministério da Fazenda. O Banco Central é apenas o sistema imunológico, quem produz e alimenta a doença é o ministro da Fazenda”, afirmou, sem citar o nome do atual ocupante do cargo, Guido Mantega.
O economista afirmou que a taxa Selic (juros básicos) é o principal instrumento para esfriar ou aquecer a economia. O problema, segundo ele, é que o Brasil ainda não se livrou de todos os males da indexação que existiam na época da hiperinflação. “Essa infecção não foi totalmente eliminada. Ainda temos a bactéria no organismo, menor do que na época da hiperinflação, é claro, mas ainda relevante.”
Franco, que foi presidente do Banco Central no primeiro governo Fernando Henrique Cardoso, enfatizou o enorme rombo nas contas públicas. “Temos superávit primário de 2% a 3% do PIB, mas quando se colocam os juros e as amortizações nos cálculos, passa para menos 19%. Sabe quanto é na Grécia? 21% do PIB. Em Portugal é 18%.”
O economista prosseguiu: Por que aqui isso não é problema no Brasil? Porque a mecânica de financiamento tem muito a ver com os fundos DI. Estamos (população que investe em títulos públicos), sem saber, carregando a dívida e mantendo a rolagem. Na Grécia não tem overnight, não tem cultura de depósitos à vista remunerados atrelados a títulos públicos. Como a gente tem isso aqui, a gente consegue viver dentro de uma relativa normalidade.”
Gustavo Franco disse que “hoje precisamos de juros ridiculamente altos para manter o Estado brasileiro, que tem contas gregas". "Se o juro cai muito abaixo de 10%, esse mecanismo de rolagem da dívida interna começa a se desmilinguir e chega a necessidade de amortizar a dívida, mas não temos dinheiro para isso. O fato é que o custo da farra fiscal é transformado em dívida pública, que demanda juros altos, e a conta será paga pelos nossos netos. Os juros altos de hoje são os impostos de amanhã, das próximas gerações.”
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