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DESTAQUE / SINDICALISMO

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Confira artigo sobre o sindicalismo favorável à impunidade

Nesse momento o sindicalismo está reconfigurando sua significação histórica, social e política.

15/03/2016 às 17:05
Por Silvio Kanner
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O sindicalismo brasileiro, nome que uso especificamente aqui para denominar o conjunto formado pela totalidade dos membros de diretorias, comissões e conselhos de sindicatos, federações, confederações e centrais (não o movimento social de caráter econômico dos assalariados) tornou-se uma esfera autônoma, separada, apartada; diferenciada das bases das categorias que representam, ou pretendem representar.

De um lado, uma parte desse conjunto silencia simplesmente diante do atual quadro político brasileiro. A pauta de luta contra o ajuste fiscal é nada mais que uma forma inteligente de se omitir de uma posição clara sobre os acontecimentos políticos recentes. Outra parte assume aberta e militantemente a defesa do governo, chegando ao ponto de desqualificar a ação do Ministério Público Federal, da Justiça Federal e da Polícia Federal no curso da operação “lava jato”.

Com essa posição o sindicalismo está hoje cumprindo um papel claramente reacionário, relativamente ao fortalecimento da democracia, dos mecanismos de controle social e de luta contra a corrupção. Essa nunca foi a posição do movimento sindical, sempre lutamos contra a corrupção, sempre defendemos a apuração e a prisão dos corruptos, e sempre que a conjuntura escalou a corrupção como principal jogador, mobilizamos nossas categorias para intervir na conjuntura tento o combate a corrupção como eixo.

Essa realidade é possível porque a estrutura de coordenação do sindicalismo está “autonomizada”, suas ações não se referenciam nos interesses das categorias, e não há nenhum risco de que sua posição de membros da estrutura de coordenação do sindicalismo se altere em razão dessas ações apartadas das categorias. Nesse momento o sindicalismo está reconfigurando sua significação histórica, social e política. A visão de um sindicalismo radical, inconformado com as desigualdades sociais, fornecedor de personalidades políticas de grande envergadura e primeiro combatente da corrupção está sendo drasticamente alterada. Para substituir esta imagem está-se moldando a imagem de um sindicalismo condescendente, defensor da impunidade e das ações corruptas de um governo corrupto.

Ao longo das ultimas décadas a CUT estruturou verdadeiras máquinas de eleições sindicais. Essas máquinas garantem a vitória das chapas “Cutistas” por meio de todo o tipo de artifícios, o que não exclui a calúnia a fraude e a violência. Para ser diretor dos sindicatos é preciso ser militante do PT, e assim ocorre com todos os partidos que atuam no movimento dos trabalhadores. Todos construíram seus enclaves e comandam máquinas sindicais que em alguns casos dirigem orçamentos milionários.

É para defender seus interesses específicos que os sindicalistas se mobilizam contra as investigações da “lava jato” ou se omitem em relação à luta política contra a corrupção. Vejo com tristeza que o maior sindicato da nossa categoria, o Sindicato dos Bancários de São Paulo é o espaço, o lugar em que os defensores dos corruptores e dos corrompidos se reúnem para “protestar” contra as investigações do Ministério Público e espero que essa conjuntura nos ajude a construir um movimento sindical livre das tutelas partidárias e por isso capaz de se manter sempre na posição justa e progressista.

Acredito que o papel do sindicalismo hoje é mobilizar as categorias para as manifestações que defendem a derrubada do governo. Isso é o correto a se fazer. Isso não significa que estamos defendendo o “outro lado”, sempre defendemos a combate a corrupção e nunca nos coadunamos com governos corruptos. O que acontece depois que as massas se mobilizam para a derrubada de um governo? A história já deu muitos exemplos, mas não perdeu a capacidade de nos surpreender.

Escrevo este texto para registrar, que como sindicalista não corroboro com essa situação, em que os sindicatos se tornaram a ponta de lança da defesa de políticos e empresários corruptos. Sempre o olhamos para o passado com mais clareza do que vemos o presente. A próxima renovação sindical vai se erguer contra essa realidade e vai começar por restabelecer a referência de base e subordinar os partidos e nesse momento teremos vergonha do passado do sindicalismo brasileiro que hoje se desenrola como momento atual.

Quem é Silvio Kanner

Graduado em Agronomia pela Universidade Federal Rural da Amazônia - UFRA (antiga FCAP). Mestre em Agriculturas Familiares Amazônicas e Desenvolvimento Sustentável pelo Núcleo de Ciências Agrárias e Desenvolvimento Rural - NCADR/UFPA, Doutorando em Ciências Sociais e atualmente presidente da Associação dos Empregados do Banco da Amazônia (AEBA).

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