
As taxas de juros do cartão de crédito atingiram em março o maior nível para o mês desde 1995, primeiro ano do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O percentual anual de juros do rotativo chegou a 432,24% ao ano e 14,95% ao mês – aumento de 1,56% ante fevereiro. Os dados integram pesquisa divulgada ontem pela Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).
O cheque especial apresentou elevação de 1,79% na comparação com o mês anterior, passando de 11,16% para 11,36% ao mês. Ao ano, a taxa alcançou 263,71%. A média das tarifas para pessoa física subiu de 145,76% para 148,76%. Para pessoa jurídica, os aumentos foram mais suaves: em média, os juros dessa categoria subiram 1,58%. Com isso, a taxa mensal foi de 4,43% para 4,5%. O acumulado anual saltou de 68,23% para 69,59%. Foi o 18º mês seguido de altas.
As elevações ocorrem a despeito da manutenção, desde julho do ano passado, da taxa básica de juros (Selic), em 14,25% ao ano. O diretor executivo de estudos da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, explica que o crescimento nos percentuais cobrados está ligado ao momento pelo qual passa a economia do Brasil, que as instituições financeiras consideram como de alto risco de inadimplência. “Diante da recessão e suas consequências, como aumento da inflação e do desemprego, e da queda na renda da população, a expectativa dos bancos é a de que a possibilidade de calote é maior. Por esse motivo, aumentam as taxas”, comenta.
Para se ter ideia, em 2013, quando a economia brasileira ainda estava em ascensão – o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 2,3% ante 2012 –, as taxas médias em março eram de 87,97% ao ano para pessoa física e de 43,58% para empresas. Naquela ocasião, a Selic estava em 7,25% ao ano.
Oliveira avalia que as taxas deverão continuar subindo pelos próximos meses, ainda que a Selic tenha pequeno decréscimo, como aposta parte do mercado financeiro. “Todos os fatores que levam insegurança aos agentes econômicos tendem a se manter. Só haveria queda nos juros se houvesse mudança nesse cenário, ou se a Selic tivesse forte redução, o que dificilmente acontecerá.”
DICAS - O administrador de empresas Mauro Calil, especialista em finanças pessoais, orienta a quem estiver endividado que substitua por crédito mais barato. “Por exemplo: no caso de dívida no cartão de crédito ou no cheque especial, o ideal é procurar o banco e tentar cobrir esse valor com um empréstimo pessoal, cujos juros são mais baixos.” Em março, os juros do empréstimo pessoal nos bancos atingiram taxa média de 31,99% ao ano. Nas financeiras, chegou a 71,15%.
Quem tem dívida de R$ 1.000 no cartão de crédito e opta por pagar o mínimo (que, geralmente, varia entre 15% e 20% do valor total), neste caso, de R$ 200, levará quase oito meses para quitar sua fatura, que custará, no fim das contas, R$ 1.511,60, sendo R$ 511,60 de juros. Pagando dessa forma, se entra no chamado crédito rotativo.
Ao substituir pelo crédito pessoal, o valor da dívida saldado em seis parcelas dos mesmos R$ 200 será de R$ 1.168,06 (considerando juros de 122,8% ao ano, ou R$ 168,06), conforme simulação disponibilizada pela Calculadora do Cidadão, do Banco Central. Outra opção apontada por Calil é o empréstimo consignado – cujo valor das parcelas é debitado automaticamente da folha de pagamento. Considerando o mesmo exemplo, a dívida ficaria em R$ 1.046,14 (juros de 29,54% ao ano ou R$ 46,14 a mais) em cinco parcelas de R$ 200.
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