
No último dia 23, estive reunida com o diretor de Gestão de Pessoas, José Caetano de Andrade Minchillo, e com o diretor de Relação com Funcionários e Entidades Patrocinadas, Carlos Célio de Andrade Santos. O tema da reunião foi o perfil dos funcionários do BB, traçado por uma pesquisa realizada pela Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (ANABB) no início de 2015.
A pesquisa traz dados interessantes (veja aqui o relatório completo da pesquisa). Em relação aos indicadores de saúde, os números são alarmantes: 68,91% sentem-se estressados no trabalho, enquanto, 69,85% presenciaram assédio moral e 52,29% sentiram-se constrangidos no trabalho, a ponto de acreditar que era assédio moral, 14,5% dos funcionários já receberam diagnóstico de algum transtorno mental relacionado ao trabalho; por último, 14,79% presenciaram assédio sexual e 6,13% asseguram ter sofrido assédio sexual.
Os indicadores acima são ainda piores quando são consideradas as mulheres em relação aos homens. Merecem destaque os dados de que 44,1% das mulheres já receberam indicações para tomar antidepressivos (entre os homens, o percentual é de 25,8%) e que 10,8% das funcionárias do BB alegam já ter sofrido assédio sexual, enquanto entre os homens o percentual é de 2,8%. A desigualdade entre homens e mulheres é evidenciada também na distribuição de cargos. Entre os respondentes da pesquisa, o percentual de escriturárias (mulheres) é de 20,3% e o de escriturários (homens), 12,6%. Quanto mais alto o cargo, menos mulheres encontramos. Responderam serem gerentes 3,9% das mulheres e 14,1% dos homens. Se considerarmos que as mulheres são cerca de metade do quadro funcional do BB, a única explicação para tal disparidade é o machismo presente dentro da empresa.
Na reunião, os representantes do BB questionaram os resultados da pesquisa, alegando problemas metodológicos. No entanto, qualquer colega, observando o ambiente que o rodeia, pode comprovar na prática que nossa saúde e qualidade de vida no trabalho vão de mal a pior e que as mulheres são permanentemente discriminadas no BB.
Na diretoria do BB, temos somente uma mulher. No Conselho de Administração, a única mulher é a representante eleita pelos trabalhadores. São inúmeros os relatos de colegas que, ao serem entrevistadas para uma oportunidade de ascensão profissional, foram perguntadas se são ou pretendem ser mães.
Sobre a saúde, se cada um de nós fizer uma pesquisa simples em nossos locais de trabalho, certamente verificaremos que a maioria dos colegas está estressado e um número grande toma medicamentos tarja preta para lidar melhor com as pressões e com o assédio moral. O BB chegou a ser condenado pelo TRT de Brasília por assédio moral coletivo, em uma ação civil publica movida pelo Ministério Público do Trabalho. Na ação, o MPT sustentou que o problema era sistêmico e alcançava unidades espalhadas pelo país, e que o banco não estaria adotando providências eficazes para combatê-lo, como sanções e medidas disciplinares contra os assediadores. Todos os recursos, apresentados até o momento pelo banco no TST foram indeferidos por unanimidade.
No entanto, os representantes do BB, contrapondo esta realidade e os números apresentados na pesquisa da ANABB, apresentam os resultados das pesquisas de Clima Organizacional e de Satisfação no Trabalho, organizadas anualmente pela empresa, nas quais a maioria dos colegas declara-se satisfeita com o Banco.
Diante disso, como representante dos funcionários, solicitei diversos dados aos diretores. Quantas mulheres temos em cada um dos cargos no BB? Quantas horas as bancárias e bancários do BB costumam trabalhar por dia? Quais são os indicadores de saúde apresentados no exame periódico de saúde? Estes dados, entre outros, poderão nos ajudar a ver, em números, a realidade que vivemos no cotidiano.
Sabemos que nenhuma pesquisa pode esconder a triste realidade que vivemos, mas gostaríamos de chamar os colegas a mostrar nas pesquisas do BB a verdade nua e crua. Não deixe de responder as pesquisas organizadas pelo BB e, mais importante ainda, respondam com sinceridade. Vamos mostrar nas pesquisas e nas mobilizações a nossa insatisfação com nossas condições de trabalho e, assim, exigir do BB que tome providências para solucionar estes problemas.
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