Após dois anos consecutivos de redução, a taxa de inadimplência do varejo deve subir 7,5% em 2011, na perspectiva do presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Júnior. De acordo com a entidade, a inadimplência recuou 1,85% em 2010 na comparação com o ano anterior e caiu 14,9% em 2009 sobre 2008.
Mesmo com essa perspectiva de aumento do calote, a avaliação é a de que 2011 se encerrará com uma situação melhor do que a verificada nos primeiros meses do ano. Um ponto que ajudará esse cenário, conforme Pellizzaro Júnior é que os consumidores têm procurado limpar seu nome. A estimativa é a de que haja um crescimento de 8% do número de pessoas que quitam suas dívidas em atraso e saem do cadastro do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) este ano. 'A inadimplência deve ficar um pouco acima do ideal, mas posso dizer que já apagamos a luz amarela', salientou. Para as vendas, o presidente da CNDL prevê um crescimento de 6,5% este ano ante 2010.
Pellizzaro Júnior salientou que a medição da CNDL sobre a inadimplência é diferente da apresentada pelo Banco Central. 'O comércio sente antes os problemas, pega o início da cadeia. Para o BC, a inadimplência parou de crescer. Aqui, não', comparou. Avaliar só a inadimplência seria uma notícia 'horrível', segundo ele, mas é preciso analisar outros dados, como o dos cancelamentos, que tem subido.
O aumento da inadimplência, conforme o presidente da CNDL, está atrelado ao novo perfil de quem está comprando, basicamente o que compõe a nova classe C. Isso porque, segundo ele, a demanda reprimida é muito forte. 'As compras são feitas de forma desordenada, mas a inadimplência já está se acomodando, ainda que em ritmo lento', considerou. 'A situação para o final do ano não chega a ser boa, mas está muito longe do que seria ruim.'









