
Os petroleiros em campanha salarial realizaram na quarta-feira (16) greve em todo país. A paralisação ocorreu mesmo contra a proposta da direção da FUP que deliberou por chamar o seu CD (Conselho Deliberativo) para o dia 22 de novembro e “esqueceu” que havia marcado uma greve para o dia 16.
Nesta quinta-feira (17) após 24 horas de greve e paralisações, atrasos, os petroleiros estarão concentrados avaliando com base no quadro nacional a continuidade da greve.
Aumenta a mobilização nas próprias bases da FUP e isso poderá impor uma antecipação da greve, sem a espera do Conselho Deliberativo no dia 22.
Os sindicatos do Rio Grande do Norte e Ceará anunciaram que haverá pelo menos paralisações parciais amanha e junto com o sindicato da Bahia estão encaminhando um documento oficial para FUP exigindo que esta Federação se some ao movimento e que antecipe o CD para esta sexta-feira.
Estes acontecimentos e a iniciativas das oposições em Caxias (RJ) e Norte Fluminense (RJ) também poderão desencadear em mobilizações nestas bases. Junte-se a isso a greve dos aos 5 mil operários das obras do COMPERJ, que poderão ir aos prédios centrais do EDISE e VENTURA, prédios próximos da Justiça do Trabalho, para levar suas reivindicações; os petroleiros terceirizados da CEMON, que estão em greve há mais de 30 dias; e aos operários de Carauari, na Província do Urucu e veremos que os trabalhadores setor de petróleo estão construindo uma panela de pressão pronta para explodir.
Proposta da Petrobras é rebaixada
A Proposta da Petrobrás não traz nenhum avanço. A empresa apresentou uma proposta de ACT (Acordo Coletivo de Trabalho) sem nenhum avanço nas cláusulas sociais e uma proposta econômica rebaixada e discriminatória, que não leva em consideração a reivindicação de aumento real de 10% no salário básico.
Além de irrisória, a proposta econômica é uma grande enganação, pois nem mesmo sob a lógica de remuneração variável pode ser considerada aceitável. Em relação ao abono, repete os mesmos valores do acordo fechado em 2010. A Petrobrás oferece como proposta GANHO REAL ZERO NO SALÁRIO BÁSICO. Para piorar, ainda afirma que o reajuste proposto na RMNR é “um dos maiores índices conquistados pelas categorias de trabalhadores do país neste ano”.
Outras categorias já mostraram que apenas com luta é possível avançar e arrancar um acordo vitorioso. Os metalúrgicos da GM de São José dos Campos, com 24 horas de greve, tiveram 10,8% de reajuste, um aumento real de 3,2% acima da inflação; os trabalhadores dos Correios tiveram R$ 80,00 de reajuste, o que significa 9% de aumento real no salário, acima da inflação do período; Os bancários tiveram, apesar dos 9% de reajuste geral, um reajuste de 12% no piso, o que significa um reajuste real de 5% no piso da categoria. Esses três exemplos mostram que apenas com a greve nacional e unitária é possível avançar.
FUP: além de suspender a greve sem falar para ninguém sumiu da portaria da empresa
A direção da FUP decidiu de fato aplicar a tática “Gasparsinho”, primeiro deu uma orientação as assembléias dos trabalhadores de base para rejeitarem a proposta da empresa, não fazerem nada e esperarem o Conselho Deliberativo do dia 22, sem nem mesmo explicar por que suspendeu uma greve que foi votada em toda base para se iniciar no dia 16.
O movimento grevista já sabia que a democracia não era mais o forte da FUP, quando ela não votou a pauta da Campanha Salarial na base e nem consulta os trabalhadores de base sobre os rumos do movimento.
O mais impressionante desta vez é que as direções de vários sindicatos ligados a esta entidade nem mesmo aparecerem na portaria da empresa no dia 16 para dar satisfação aos trabalhadores, sobre o que fazer, explicar por que a greve foi suspensa e quais os novos rumos da campanha salarial. Com certeza é por que não queriam ouvir os protestos dos trabalhadores da base contra o seu governismo exacerbado.
Veja o quadro da greve de ontem
Na quarta-feira às 6 horas da manhã os Sindipetros: Bahia (filiado a FUP), Sindipetro do Rio de Janeiro e os Sindipetros filiados a FNP (Litoral Paulista, São José dos Campos, Alagoas e Sergipe e PA/AM/MA/AP). O quadro demonstra que os petroleiros estão dispostos a ir à luta para conquistar as suas reivindicações.
Sergipe
Atalaia, Sede da Rua Acre, FAFEN, Carmópolis (Jordão, Siriri, Riachuelo e base de CP) votou a rejeição da segunda proposta e deflagrou a greve de 24hs, com a avaliação amanhã.
Alagoas
Porto, Estação do Pilar rejeitaram a proposta e realizaram atraso de duas horas, avaliação amanhã de manhã. Furado – concentração às 12hs. No Sindicato em Maceió, avaliação com base no quadro nacional no final do dia.
Bahia
Os petroleiros do Sindipetro Bahia, apesar da orientação dada pela direção da FUP de jogar todas as decisões para o Conselho Deliberativo do dia 22 de novembro, a base definiu em assembleias realizadas em 11 pontos de Salvador, na BR-324 e nas cidades de Candeias, Pojuca, São Sebastião do Passé e Alagoinhas, rejeitar a Contraproposta da Petrobrás e, foram além, votaram pelo inicio da Greve por Tempo Indeterminado a partir de hoje.
Litoral Paulista
Foi iniciada a greve por tempo indeterminado às 7 horas da manhã. A previsão é de que a greve alcance 24 horas. Na RPBC, terminais Transpetro (Alemoa, Pilões, Tebar) e UTGCA os trabalhadores de turno e ADM participaram de agitações nas portas das unidades por cerca de duas horas e logo após foram para casa. A adesão foi forte. Na Alemoa, por exemplo, inclusive, os terceirizados integraram o movimento.
Pará/Amazonas/Maranhão/Amapá
Em concentração pela manhã, foi aprovada a greve por tempo indeterminado. Durante a semana será debatida a contraproposta da Petrobrás com a categoria e encaminhar a rejeição. São José dos Campos e Litoral Paulista também deixaram para que durante a semana seja apreciada e rejeitada a contraproposta da Companhia, após um amplo debate com todos os petroleiros que estão trabalhando, mas também com os petroleiros aposentados e pensionistas.
São José dos Campos (SP)
Aprovada a greve por tempo indeterminado. Atraso de 2hs no turno da manhã e vai reavaliar no turno das 16hs.
Rio de Janeiro
Agitação, distribuição de boletim do Sindicato e mobilização nas bases administrativas, atraso de uma hora no TABG e nova concentração no turno das 15hs. TEBIG (Angra) em greve. Reunião da Diretoria às 14hs.
Reivindicações
- O fim da tabela congelada dos aposentados;
- Aumento real no salário básico e reposição das perdas. Reajuste de 17%
(correção da inflação, sendo o maior índice acumulado, mais 10% de produtividade e ganho real);
- Piso salarial de acordo com o salário mínimo do Dieese (R$ 2.212,66);
- Piso salarial dos técnicos em 66% do concedido aos engenheiros;
- Mudanças no PCAC: solução para os problemas dos técnicos de contabilidade e de enfermagem, dos inspetores de segurança interna e de equipamento, o reconhecimento da função de fiscal e gerente de contrato;
- Promoção Automática de Pleno para Sênior;
- Avanço de Nível Automático;
- Fim das remunerações variáveis;
- Progressão do ATS (Adicional por Tempo de Serviço), a partir dos 30 anos;
- Extensão do Dia do Desembarque em nível nacional;
- Melhorias na AMS;
- Plano Petros BD para todos;
- Reintegração dos companheiros da Petromisa, Interbrás, Petroflex e Nitriflex.
Com informações de Roberto Aguiar, Aracaju (SE) e Américo Gomes
Dia Mundial da Conscientização Sobre o Autismo - por mais respeito, compreensão e conhecimento!
SEEB-MA: 91 anos de lutas, conquistas e presença na vida da categoria
© SEEB-MA. Sindicato dos Bancários do Maranhão. Gestão Trabalho, Resistência e Luta: por nenhum direito a menos!