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PLANTÃO / ESTUDO

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Nova classe média pagará em 2011 R$ 100 bilhões em juros, diz ministro

24/11/2011 às 19:01
G1
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A nova classe média desembolsará R$ 100 bilhões neste ano em pagamento de juros, mostram estudos do governo encomendados pelo ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, Wellington Moreira Franco.

Conforme disse o ministro em entrevista ao G1, os dados foram levantados por técnicos da secretaria para o III Fórum do Banco Central sobre Inclusão Financeira, realizado entre esta segunda (21) e quarta-feira (23).

"Nos estudos, levantamentos técnicos, se descobriu que a nova classe média está pagando (neste ano) R$ 100 bilhões de juros e ela declara, nos números oficiais, a percepção de pagar R$ 3 bilhões. Quando a classe média compra um produto, o juro está embutido naquele preço, mas ela não sabe que o juro está ali", afirmou o ministro.

O montante corresponde a quase metade de toda a despesa do governo federal nos últimos doze meses com pagamento de juro da dívida pública, de R$ 230 bilhões.

Dados do governo federal indicam que a nova classe média, ou classe C, é formada por 95 milhões de pessoas, com renda familiar mensal entre R$ 1 mil e R$ 4 mil. Juntos, esses brasileiros somam 52% da população brasileira.

Transparência

Incumbido pela presidente Dilma Rousseff de traçar políticas para "preservar" o público das classes D e E que migrou para classe C nos últimos dez anos - cerca de 30 milhões de pessoas -, Moreira Franco avalia que os dados sobre pagamento de juros mostram que é preciso "esforço" pela transparência das informações.

"Para se ter ideia, essa nova classe media é responsável por colocar no mercado coisa em torno de R$ 1,1 trilhão. É algo maior do que o PIB de Portugal. Esse segmento é uma base que precisa ser preservada. Isso significa que temos que começar esforço no sentido de dar mais transparência ao consumidor, na propaganda. Para que ela (classe C) saiba o que é o preço e o que é juro pago", disse.

O ministro, também, disse que o governo brasileiro pretende convocar autoridades, instituições e redes varejistas para discutir o assunto. "Processo de avanço social é isso. Estudar a realidade social, perceber com números como está, e garantir o desempenho da cidadania justo, correto".

"Bolsa Trabalhador"

Outro ponto que o ministro destaca para a manutenção da nova classe média no Brasil é a qualificação de empregados e auxílio aos trabalhadores que ganham até dois salários mínimos. De acordo com Moreira Franco, um projeto sobre o tema está em fase de conclusão e deve ser apresentado "em breve" para a presidente Dilma Rousseff. Mas, segundo ele, ainda não se sabe o valor do auxílio.

"A gente tem programas de qualificação do desempregado, mas não para o empregado. Precisamos de uma bolsa emprego para estimular a produtividade. Isso tudo é uma possibilidade de combater a inflação com aumento de produtividade. Hoje, só combatemos com aumento de juro."

Moreira Franco destacou que a missão da SAE é formular políticas públicas com efeitos de longo prazo. "Na medida em que você não começa a tomar medidas concretas hoje, não pode obter nenhum resultado no futuro. (...) A classe média é um ativo fundamental para pensar o Brasil no futuro."

Primeira Infância

A SAE, também, prepara projeto, conforme o ministro, para unificar todas as políticas do governo federal para a chamada primeira infância, formada por crianças de até 4 anos.

"Há muitos agentes de saúde, instituições públicas, centros de apoio, programa pré-natal. A ideia é juntar tudo isso como foi feito no "Bolsa Família". Uma única porta de entrada para que a mãe não fique perdida nesse emaranhado de ofertas (de serviço público)", afirmou o ministro.

A ideia, disse, é acompanhar o desempenho da criança nessa faixa etária para reduzir a desigualdade e "criar uma base mais sólida de formação". Segundo ele, programa está "relativamente desenhado" e, também, deve chegar "em breve" às mãos da presidente Dilma.

Defesa

Ao G1, Moreira Franco, também, comentou a situação das Forças Armadas no país. Reportagem publicada nesta terça-feira (22) pelo jornal "O Estado de S.Paulo" apontou o sucateamento das Forças Armadas no Brasil. A SAE, também, é responsável por projetos na área de defesa.

"Claro que o governo tem consciência disso e há um problema que vamos ter que resolver que é a questão de poder. E poder significa prioridade. E essa prioridade se verifica no Orçamento."

O ministro diz acreditar que a área de Defesa "ainda não é" uma prioridade para o governo brasileiro. "Queremos ser a quinta economia do mundo. Temos que ter condições de independência, de autonomia. Temos o pré-sal, a questão da fronteira. (...) O Orçamento precisa permitir que o dinheiro da Defesa não seja contingenciado. O ônus é muito alto", disse ele.

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