
Captações de recursos no exterior influenciaram entrada de divisas. No primeiro bimestre, ingresso de dólares cai 43,3%, para US$ 12,98 bi.
A entrada de dólares do país superou a retirada de moeda estrangeira em US$ 5,7 bilhões em fevereiro deste ano, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (7) pelo Banco Central. Em janeiro, US$ 7,28 bilhões já haviam ingressado na economia brasileira.
Na parcial do primeiro bimestre deste ano, o BC contabilizou o ingresso de US$ 12,98 bilhões na economia brasileira, com queda de 43,3% em relação ao mesmo período do ano passado (US$ 22,93 bilhões de ingresso).
Ainda de acordo com a autoridade monetária, o ingresso de recursos no Brasil se intensificou no começo de março, quando, em dois dias úteis (1 e 2 de março), foi contabilizada a entrada de US$ 2,46 bilhões.
Explicações
Economistas apontam que as captações de recursos no exterior efetuadas por empresas brasileiras contribuíram para o ingresso de dólares registrado em janeiro e fevereiro deste ano. As operações aconteceram após o Tesouro Nacional lançar papéis no mercado internacional – que servem de referência para o setor privado.
De acordo com cados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capital (Anbima), as captações externas de empresas somaram US$ 11,7 bilhões em fevereiro. A principal operação foi realizada pela Petrobras, no valor de US$ 7 bilhões.
Impacto na cotação do dólar
O ingresso de recursos no país, que foi registrado em janeiro, teoricamente favorece a queda do dólar, segundo analistas. Isso porque, com mais dólares no mercado, seu preço tenderia a ficar mais baixo. Em janeiro, a cotação do dólar registrou recuo de 1,55%, cotado a R$ 1,72. No fim de janeiro, estava cotado a R$ 1,74.
Um fator que impediu uma queda maior do dólar foram as compras de divisas efetuadas pela autoridade monetária, algo que não acontecia desde setembro do ano passado. Em fevereiro, o Banco Central comprou US$ 842 milhões. No começo de março, mais US$ 256 milhões foram adquiridos pela autoridade monetária.
Guerra cambial e medidas do governo
A chamada "guerra cambial" em curso, com a injeção de quase R$ 9 trilhões nos mercados financeiros por parte dos BCs dos países mais desenvolvidos (Estados Unidos e Europa principalmente) nos últimos três anos, é, segundo economistas, um dos fatores que contribui para o ingresso de divisas no país, aliado ao fato de que o Brasil tem os juros reais mais elevados do mundo - gerando um retorno maior para os aplicadores.
Somente na última semana, o Banco Central Europeu colocou no mercado US$ 712 bilhões em empréstimos de longo prazo. Em dezembro do ano passado, outros US$ 658 bilhões já tinham sido colocados em mercado. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou que o governo não assistiria à esta iniciativa dos países desenvolvidos "impassível", enquanto a presidente Dilma Rousseff apelidou este processo de "tsunami monetário".
Contas comercial e financeira
O fluxo cambial brasileiro possui duas contas: a comercial, na qual são fechados os contratos de câmbio para operações de exportação e importação, e a conta financeira - que inclui as demais operações, como os investimentos estrangeiros diretos e os recursos para aplicações financeiras, além das remessas de lucros e dividendos e empréstimos tomados no exterior, entre outros.
Os números do BC mostram que o fluxo comercial registrou ingresso de US$ 3,52 bilhões em fevereiro. Ao mesmo tempo, ainda segundo números da autoridade monetária, foi contabilizada a entrada de US$ 2,18 bilhões por meio da conta financeira no mês passado.
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