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O “Zé a toa” que trabalha em banco
As linhas seguintes são uma resposta a um comentário do Sr. Anis Hosni no facebook no status https://www.facebook.com/franciscochsousa, na publicação {25/09/2013: Açailândia-MA : Todos os bancos de Açailândia aderiram à greve}
Ele afirmou: “Vai trabalhar o zé atoa”
Sr. Anis Hosni , Essa sua afirmação feriu todos os bancários desse país e de todo o mundo. Ela é uma agressão a toda a classe trabalhadora mundial que luta por melhores condições de trabalho e de vida para todos.
Nós bancários estamos em greve não porque queremos, mas porque fomos empurrados para ela. Culpa do sistema financeiro brasileiro que é um dos mais lucrativos do mundo, não somente do Brasil – somente nesse semestre de 2013 os cinco maiores bancos no Brasil lucraram quase 30 bilhões: Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander e Caixa.
Essa lucratividade se deve à exploração do trabalho da classe bancária brasileira que é submetida a sucessivas extrapolações de jornada de trabalho pela falta de pessoal, metas abusivas, assédio moral e condições inadequadas de trabalho e de atendimento, entre outros. Como conseqüência, sofre a classe bancária e toda a população que usa os bancos.
Essa qualificação do bancário de “Zé atoa” ganhou força quando desde a implantação do Plano real, em 1994, o salário dos bancários sofreu congelamentos e reajuste zero ou abaixo da inflação. De lá para cá, governo após governo ( FHC, Lula e Dilma), sofremos perdas salariais absurdas. Só para se ter uma idéia, nos bancos públicos elas chegam em média a 100%; nos privados, mais ou menos 22%.
Lutamos contra o governo federal, os donos dos bancos particulares, as centrais sindicais cooptadas pelos governos e muitas pessoas como você, Sr Anis Hosni, que se deixam convencer com as mentiras publicadas em grandes mídias patrocinadas pelos grandes bancos.
Temos família e não é justo que, trabalhando, o banco nos explore e se enriqueça, apropriando-se indevidamente do nosso trabalho. Por isso, nós, que constituímos o Sindicato dos Bancários do Maranhão, também reivindicamos a recuperação das perdas salariais. Além do mais, a cada dia que passa, há menos bancários devido a grande rotatividade e baixos salários com a implantação da terceirização que explora a força de trabalho dos trabalhadores e trabalhadoras.
Isso se reflete nas grandes filas que há nos bancos. Quanto menos bancários, mais filas. Mas talvez o Sr, Anis Hosni, não precise enfrentar filas porque guarda o seu dinheiro debaixo do colchão de sua cama, ou enterrado no quintal – mas isso é um direito seu que respeitamos, se for o caso. Ou se usa banco, tenha um gerente exclusivo só para você, inclusive para realizar suas operações na agência por ser um cliente TOP, mas esse não é o tratamento que recebe a maior parte da população pela qual também lutamos quando reivindicamos melhores condições de trabalho e de atendimento, inclusive a implementação da lei das filas e a contratação efetiva de mais bancários.
Sr Anis Hosni, quando o Sr entrar numa agência bancária,por favor, observe se ela tem porta giratória detectora de metais, equipamento digital de filmagem e biombos. Se não os tem a sua segurança estará comprometida, bem como a de todos os usuários.
Já pensou, você ser observado, seguido e assaltado dentro ou fora de uma agência bancária e o banco nem ao menos ter um bom circuito de filmagens para auxiliar nas investigações policiais a fim de que os seus recursos subtraídos sejam-lhe devolvidos? Por isso, queremos a Segurança Bancária que deve ser regulamentada por lei específica.
Há mais de dois meses estamos negociando com as entidades representativas dos bancos e, em todas as negociações, recebemos um Não.
Em outras palavras elas também disseram o mesmo que você “Vai trabalhar o zé atoa”. Mas, na verdade, assim como você, essas entidades nos tratam como “o bancário invisível” , conforme afirma Pietro Marinho, diretor regional SEEB-MA. Mas nesse Brasil, é comum a classe trabalhadora de todos os “Zé atoa” e os movimentos sociais, de um modo geral, serem discriminados e criminalizados, institucionalmente, a fim de que os interesses de um pequeno grupo sejam perpetuamente vigorados por uma lei de ferro oligárquica. Mas isso vai acabar quando existir o pacto social de todos(as) os(as) que lutam pela soberania desse país e, um dia, não ouviremos mais essa grande asneira “Vai trabalhar o zé atoa”.
Açailândia 25 de setembro de 2013
Sou Francisco das Chagas Sousa, pai de família, trabalhador bancário na Caixa Econômica Federal, Membro da diretoria regional de Imperatriz no Sindicato dos Bancários do Maranhão.
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