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PLANTÃO / SETOR BANCÁRIO

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Governo e bancos se unem em ação antirrevisão da poupança

26/11/2013 às 13:34
Jornal da Cidade
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O governo federal e os bancos juntaram forças para convencer alguns dos principais ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) a voltarem atrás em suas antigas opiniões e derrubarem cerca de 400 mil ações que pedem a correção das poupanças nos planos econômicos Bresser (1987), Verão (1989), Collor 1 (1990) e Collor 2 (1991).

O assunto deve entrar na pauta do STF na próxima quarta. Por enquanto, os bancos têm só dois votos favoráveis; outros 2 dos 11 ministros da Corte deverão se declarar impedidos de votar por ter relação com as instituições.

Com três anos de atraso, só agora os bancos e o governo desceram ao detalhe do detalhe de cada uma das medidas provisórias que instituíram os planos, incluindo as metodologias de cálculo dos índices de inflação.

A principal tese é que, nos planos Bresser e Verão, a poupança era remunerada pela inflação medida entre a segunda quinzena do mês corrente e a primeira do mês seguinte (exemplo, de 15 de novembro a 15 de dezembro, no caso do Plano Verão).

Com a instituição do novo plano econômico, houve uma mudança na metodologia. A média do mês anterior foi comparada a uma estimativa estatística da inflação do dia anterior ao plano econômico -ou seja, comparam a média com o pico da inflação.

Os bancos apresentaram ao STF simulações que apontam que houve ganho real, e não perda, nas correções dos planos Bresser, Verão e Collor 1. No Collor 2, há estimativa de perda de até 6,9%.

Terrorismo

Até então, os bancos argumentavam que: 1) seguiram orientação do BC; 2) repassaram eventuais ganhos aos financiamentos imobiliários; 3) eventuais perdas com a troca de índices depois voltavam ao poupador com o fracasso do plano, sob a forma de uma correção ainda maior.

Também apelavam para a segurança do sistema, dizendo que a revisão em massa das poupanças pode quebrar os bancos, especialmente os públicos. Foi isso que fez o governo se juntar ao movimento antirrevisão. Mais de 50% das poupanças da época estavam com bancos públicos, especialmente a Caixa Econômica Federal.

Se os bancos perderem haverá ainda uma forte redução nos impostos pagos, comprometendo a arrecadação.

Guerra de números

A última estimativa do BC sustenta que as perdas potenciais chegam a R$ 149,9 bilhões, caso todos os poupadores sejam beneficiados.

Nas contas do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), as indenizações máximas ficaram R$ 60 bilhões menores, depois que o Superior Tribunal de Justiça derrubou 1.015 ações em 2010:

O órgão considerou improcedente as ações coletivas abertas mais de cinco anos depois dos planos econômicos (nas ações individuais a prescrição é de 20 anos).

Advogados que defendem os poupadores consideram difícil obter compensação para as perdas do Plano Collor 1, que estão estimadas em R$ 74 bilhões.

O argumento deles se baseia na atraso na conversão da medida provisória na lei que institui o plano econômico. "Estamos otimistas com a correção dos planos Bresser e Verão. O Collor 2 é o mais imprevisível e o Collor 1, o mais difícil de ganhar", disse o advogado Alexandre Berthe, defensor de poupadores.

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