
O Banco Central vai prolongar para 2014 seu programa de leilões no mercado de câmbio iniciado em agosto, disse nesta quinta-feira (5) o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. O objetivo é conter a alta do dólar provocada por incertezas em relação à recuperação da economia americana.
De acordo com Tombini, essa oscilação da moeda poderia pressionar a inflação, algo que o BC quer evitar. Ele não deu, porém, detalhes de como serão os "ajustes" que o programa sofrerá nem de quando começarão. O dólar mais alto encarece, em reais, os produtos importados pelo Brasil, como matérias-primas, componentes eletrônicos e outros itens de consumo, o que contribui para o aumento da inflação no país --que já preocupa o governo.
A declaração de Tombini foi feita em almoço promovido pela Febraban (federação dos bancos), para presidentes de bancos, executivos do setor, ministros, secretários e outros convidados, em São Paulo.
E o mercado já reagiu ao anúncio. Às 15h19, o dólar à vista, que começou o dia em alta depois de renovar, ontem, o valor máximo desde 22 agosto, caía 0,9%, para R$ 2,358. O dólar comercial, usado no comércio exterior, que já estava em baixa pela manhã, intensificou a queda para 1,29%, para R$ 2,358.
Segundo ele, apesar da turbulência no curto prazo, a recuperação dos EUA é positiva no médio prazo, pois levará a crescimento global, beneficiando a todos. "Há uma pequena luz no final do túnel", disse, sobre a economia global. Ainda sobre a inflação, observou que, de junho a outubro, ela está em queda, e que a política monetária tem sido vigilante para conter os riscos de uma inflação elevada.
EUA
As incertezas dos investidores sobre o ritmo de recuperação dos EUA empurra o dólar para cima no Brasil porque, diante da perspectiva de que o Banco Central americano vai retirar os estímulos econômicos naquele país, cresce no mercado a aposta de que haverá menos dólares para investimentos em países emergentes, como o Brasil.
É que mensalmente, desde 2009, o BC americano injeta US$ 85 bilhões na economia dos EUA por meio de recompra de títulos públicos e parte desse dinheiro se transforma em investimentos em outros países.
Com o fim do incentivo, menos recursos estariam disponíveis para esses investimentos e, diante da possibilidade de menos entrada de dólares no Brasil, o preço da moeda americana sobe.
Brasil
Para que a economia brasileira volte a crescer de forma sustentada, na avaliação do presidente do BC, é preciso que se recupere a confiança dos consumidores e dos empresários.
A participação também do setor privado no financiamento de médio e longo prazo é um dos principais desafios do sistema financeiro brasileiro, afirmou o presidente do Banco Central. A necessidade fica ainda maior por causa do programa de concessões de infraestrutura.
Crédito
Para Tombini, um dos principais desafios enfrentados pelo sistema financeiro nacional neste ano foi a preparação para a adaptação a novas regras globais, conhecidas como Basileia 3. Mesmo com as regras mais rígidas para concessão de empréstimo, o presidente do BC disse que o impacto na concessão de crédito no Brasil será neutro.
Outra mudança destacada pelo presidente do Banco Central foi a regulamentação dos pagamentos por celular que, segundo ele, ampliam a inclusão social, pois permitem que brasileiros sem conta em banco tenham acesso a serviços de pagamento. No discurso de boas-vindas, o presidente da Febraban, Murilo Portugal, disse que o ano foi considerado bom para o setor financeiro e que espera um cenário ainda melhor em 2014.
Isso foi propiciado pela expansão forte do crédito e da bancarização nos últimos dez anos. Só neste ano, segundo ele, foram mais quatro milhões de pessoas com acesso aos serviços bancários. Ele também citou o fato de que o crédito bancário ao setor privado cresceu mais rápido que o PIB pelo décimo ano como uma das evidências da expansão do setor.
Elogios
Alvo da ira do governo Dilma em 2012, quando governo e bancos discutiram em público por causa das taxas de juros e do spread bancário (o chamado "lucro" dos empréstimos), Murilo Portugal elogiou o governo no almoço.
Segundo ele, a política fiscal permitiu que houvesse expansão do crédito sem aumento do endividamento público. Elogiou também o controle da inflação e medidas microeconômicas que deram mais segurança ao crédito. Porém, entre as citadas, apenas a criação do cadastro positivo e alteração em regras de disputas judiciais foram adotadas no governo Dilma.
Nos quatro anos de 2011 a 2014, o crédito continuou avançando e deve ter uma expansão de 10 pontos percentuais nesse período, o que não é desprezível, disse Tombini, mas exige mais eficiência e mais segurança na concessão, para reduzir a inadimplência.
Portugal concordou com a avaliação: "Precisamos melhorar ainda mais a eficiência para continuarmos a nos adaptar a esse cenário de juros e spreads mais baixos, que não deve mudar". O desafio, disse, é continuar a expansão do crédito sem piorar a qualidade desse crédito nem correr riscos sistêmicos.
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